O Arcebispo Metropolitano, Dom Wilson Tadeu Jönck, presidiu uma missa especial aos comunicadores da Arquidiocese por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrada na tarde deste domingo, dia 16 de maio de 2021, na Paróquia Sagrados Corações, em Barreiros, São José.

Em sua homilia, o arcebispo parabenizou os comunicadores pelo seu dia e agradeceu por todo o trabalho realizado nas paróquias, especialmente desafiador em tempos de pandemia. Dom Wilson também motivou os agentes da Pascom a pensar novas formas de comunicação para ampliar ainda mais o alcance da mensagem do Evangelho, para chegar a todas as pessoas, seja lá onde e como estão, assim como pede o Papa Francisco na mensagem para a data deste ano.

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“Por que foi colocado justamente este dia [Solenidade da Ascensão do Senhor] como o Dia das Comunicações Sociais? Por causa de uma palavra do Evangelho de hoje: ‘Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura!’ (Mc 16,15). Comunicadores, comunicai o Evangelho a toda criatura! Essa é a missão do comunicador: fazer com que essa mensagem que Cristo veio trazer possa chegar em cada coração”, exortou o arcebispo.

Abaixo, segue a transcrição completa da homilia de Dom Wilson aos comunicadores.

Semana Arquidiocesana de Comunicação

A missa abriu a programação da Semana Arquidiocesana de Comunicação, uma iniciativa da Pastoral da Comunicação e da Assessoria de Comunicação da Arquidiocese. Durante a semana, um ciclo de palestras e mesas-redondas será transmitido nas redes sociais da arquidiocese, todos os dias, sempre às 20h. Além do tema proposto pelo Papa Francisco para 2021, “Vem e verás: comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são”, serão discutidos assuntos como os efeitos das fake news na evangelização e o papel da Pascom na paróquia e na Igreja. No sábado, haverá uma tarde com workshops técnicos de diversos assuntos, como transmissão de missas, edição de foto, rádio, planejamento de redes e oficina de texto.


Homilia Dom Wilson Tadeu Jönck – Domingo, 16 de maio de 2021 | Ascensão do Senhor

Missa do Dia Mundial das comunicações Sociais

Caros membros da Pastoral da Comunicação de todas as comunidades, os que estão presentes, celebrando conosco, e aos que nos acompanham desde suas residências, comunidades, e aos que nem podem acompanhar porque estão em serviço. Quero saudar a todos. Já falava da minha alegria e do meu agradecimento pela disposição e disponibilidade de todas as equipes que foram e estão sendo tão valiosas neste período de pandemia. E a gente espera que neste período de pandemia seja plantada uma semente que vá se desenvolvendo sempre mais justamente a partir dos meios de comunicação social. Meio de comunicação social é algo impessoal, interessa quem está manipulando estes meios, esse é realmente o grande valor.

Gostaria de primeiro, dizer uma palavra sobre a solenidade que estamos celebrando hoje: a festa da Ascensão de Jesus – Jesus subiu ao céu! Apenas uma palavra muito breve. No nascimento de Jesus, a divindade D’Ele começou a fazer parte da nossa humanidade na humanidade de Jesus. Enquanto estamos em comunhão com Jesus, esta humanidade veio e, de fato, começou a fazer parte da nossa humanidade, basta que haja um ‘sim’ de nossa parte.  A Ascensão é exatamente essa de que, nós humanos agora, começamos a participar da divindade do nosso Deus. Na pessoa de Jesus. Por isso Ele é nosso grande intercessor, nosso Salvador. Celebramos essa certeza de que quando buscamos Cristo, vamos participar do amor de Deus, participamos do modo como Deus olha as coisas, vamos sendo divinizados. Todas aquelas coisas que Deus colocou em nós como criaturas, passam a se desenvolver como Deus pensou. É nesta certeza que nós caminhamos. Costumamos dizer isso, com as palavras de que caminhamos para o céu. De que nós vamos para o céu. É o nosso objetivo, esse é o nosso destino para onde caminhamos. Essa realidade do céu já vai sendo realizada aqui na terra enquanto entramos em comunhão com nosso Deus. Nesta fé, vamos vislumbrando também a forma de ver, é nesta fé que vamos conhecendo aquilo que Cristo nos ensinou no Seu Evangelho, e é isto que devemos comunicar.

Por que foi colocado justamente este dia como o Dia das Comunicações Sociais? Por causa de uma palavra do Evangelho de hoje: “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura!” (Marcos 16:15). Comunicadores: comunicai o Evangelho a toda criatura! Essa é a missão do comunicador: fazer com que essa mensagem que Cristo veio trazer possa chegar em cada coração.

Aqui existem dois aspectos que gostaria de tratar rapidamente. Primeiro, é o aspecto técnico. O comunicador sabe manejar uma porção de instrumentos: vejo apontadas para mim uma porção de máquinas. O comunicador sabe lidar e tirar proveito disso. E temos necessidade disso. Mas essa é só uma parte, nem sei se é a mais importante. A outra é o conteúdo do que vamos transmitir. O comunicador também deve, primeiro absorver, deve se alimentar desse conteúdo, que é exatamente o ensinamento do Evangelho para poder transmitir, se não fica como aquilo que disse o Papa em sua mensagem, onde “as palavras apenas ecoam, e não comunicam, são palavras vazias”, não pode ser assim. A palavra do Evangelho, quando comunicada, faz um efeito. Porque no coração de cada pessoa há um desejo de viver aquilo que o Evangelho nos ensina. Mas alguém tem que tocar no coração para despertar esse desejo. Muitas vezes são pessoas que podem viver desanimadas, pensando em outras coisas, até com discursos totalmente contrários, mas esses também desejam um encontro com Cristo. Aqui eu lembraria os discípulos de Emaús, eles vão desanimados, e não querem mais saber de nada. Mas quando aquele viajante desconhecido começa a falar da palavra de Deus, alguma coisa se acende no coração. Comunicadores, esse é o grande trunfo do comunicador: fazer com que esta palavra atinja o coração. E aí começa a arder o coração, começa a se interessar e aquela palavra é como aquela criança que quando a mão está contando uma história para ela dormir e acha que já está dormindo ela diz: ‘mais uma mãe’, não quer que pare. Porque, de alguma forma, responde a um grande desejo e é o maior desejo de todo ser humano. Então, essa é a grandeza do comunicador, poder ser o portador dessa mensagem. De fato, essa mensagem só conseguimos comunicar se ela faz parte de nós. É necessário esse encontro com Cristo. E depois o que vamos comunicar? Aquilo que aconteceu neste encontro. No fundo é só isso. Bem simples. Porque quando isso acontece, a comunicação atingiu seu objetivo e começa a fazer efeito.

Tem duas coisas que aqui vou colocar a partir de um estudo de literatura. Dizemos que o escritor pode escrever a partir de dois modos: um no estilo direto e outro no estilo indireto. O estilo indireto é quando você se coloca fora, a narrativa sai na terceira pessoa, você, de longe, vai observando tudo, vai dizendo: ‘entrou na casa, fechou a casa, falou isso’, não participa. Para pregar o Evangelho isso não basta. Podemos contar toda história de Jesus, da Paixão de Jesus, mas de fora, não estamos na história. Não é assim que seremos comunicadores. No outro estilo, o direto, estamos dentro, fazemos parte da cena. Em primeira pessoa. ‘Está acontecendo isso, estou sendo atingido, estou me sentindo desta forma, está acontecendo’. Eu participo. Sou atingido por aquilo que estou contando, é minha experiência de Cristo. Por isso o comunicador deve estudar a palavra de Deus, o conteúdo que ele vai expressar. Mas, sobretudo, ele deve ter uma grande vida de fé. E o encontro seguido com Cristo, pois se não ele vai comunicar vento. Vai fazer aquela comunicação em terceira pessoa, pode até falar bem, mas não causará grandes efeitos. Temos uma facilidade e uma dificuldade: quando somos invadidos por essa palavra, tomados por ela e quando comunicamos, o efeito se concretiza. Não precisamos ter medo, porque é algo de Deus, não é só o efeito dos nossos instrumentos. Deus toca o coração e assim vai. Se temos dúvida de que Deus faz parte de nós, e quer participar da nossa vida, podemos lembrar do trecho do Evangelho que diz “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber […] (Mateus 25,35-45), temos que participar, não basta só ler este trecho. Outro trecho que me lembro que Deus vem e nos comunica é da conversão de Paulo, a caminho de Damasco, onde ele cego diz: “Saulo, Saulo, por que me persegues? ” (Atos 9,4). Paulo é atingido pela palavra de Cristo. E ele fez ressoar isso a vida toda, foi quem mais propagou o ensinamento cristão, porque ele foi tomado por Cristo. E nós também temos ocasião de ser atingidos por essa palavra. E então nossos instrumentos serão nota dez. Eles servirão para uma finalidade muito grande.

Gostaria nesse dia que é dedicado aos meios de comunicação sociais chamar atenção para algo: Deus quer participar da vida de todo mundo: ‘Ide e proclamai o Evangelho a toda criatura’. Vocês já pensaram que nós não proclamamos muito a palavra para aquele da rua, para o marginalizado, para o alcoolizado, drogado, mas o Evangelho é para eles também. Eles quase nem entram na igreja, porque se colocam fora. Nosso Papa é muito sensível a isso, além do alimento que damos e os cobertores nesse tempo de frio é importante que coloquemos essa palavra de Deus e não é a coisa mais fácil, falo isso de experiência própria.

Aqui gostaria de colocar uma pessoa que conheço, uma senhora e que lá pelas tantas da vida teve esse encontro com Cristo e foi para valer. A figura de referência dela era São Francisco de Assis. Ela se esvaziou de tudo aquilo que é supérfluo para se dedicar a Cristo. Como? Servindo a esse povo. Ela mora no Rio de Janeiro e de vez em quando tinha um daqueles mendigos surtando e ela dava um jeito, levava para hospital, era a boa samaritana nesses casos. Sempre encontrava mais e mais gente.

Também conversava com os mendigos da região onde ela morava e eles atravessavam a rua para cumprimentá-la, a chamavam de ‘irmã’, mas era uma leiga. Ela era extraordinária. Tinha um hábito: domingo de manhã fazia café na praça e, com mais algumas pessoas que a ajudavam, fazia café para os mendigos, e tinham cerca de 60 a 80 deles, que sentavam na praça, organizadamente no domingo de manhã. Ela preparava tudo, mas antes chamava atenção para a palavra de Deus. Lia o evangelho de domingo e pregava por cerca de 20 minutos. Os mendigos nem piscavam e com certeza ela atingia seus corações. Ela falava com dureza, e eles vinham… e recebiam aquela palavra porque era algo que ela vivia. Sempre me chamou muita atenção, porque uma vez as irmãs da Tereza de Calcutá pediram para eu dar uma fala num almoço de Páscoa que elas também davam ao pessoal em situação de rua. Era antes do almoço e eu não conseguia falar. Eles estavam querendo comer, não prestaram atenção, não consegui chegar no coração deles. E tenho certeza de que essa mulher conseguiria.

Caros amigos, fico muito contente com essa semana dedicada à Pastoral da Comunicação em nossa Arquidiocese, e gostaria que isso servisse mesmo de reforço e de consciência de que vocês são necessários, vocês que lidam com a comunicação. Tanto pela excelência com que tratam os instrumentos, mas vamos, também, cada vez mais, sendo excelentes no transmitir a Palavra de Deus. E aqui devemos fazer toda uma caminhada, vamos conhecendo e podemos de fato transmitir essa mensagem. Quero parabenizar o padre Sedemir, toda coordenação da Pastoral da Comunicação em nossa Arquidiocese por essa iniciativa. E que, de fato, possam surgir bons frutos desta semana dedicada à comunicação em nossas pastorais. Que Deus nos ajude, para que possamos semear com palavras, mas muito mais com alegria nos olhos um grande tesouro que vamos descobrindo.

Amém!

Transcrição: Juliane Ferreira/Coordenadora arquidiocesana da Pascom

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