A Doutrina Social da Igreja vai assumindo no decorrer da história novas facetas. Diferente do Catecismo da Igreja Católica, que trata dos dogmas e princípios da nossa fé e, portanto, tem uma dimensão mais imutável, a Doutrina Social cresce conforme o dinamismo da história.
NOVA ABORDAGEM
Aparecem novos desafios, novos enfoques da realidade, avanços das ciências humanas e sociais, que exigem da Igreja novos posicionamentos, novas perspectivas ante os fenômenos antigos, leitura dos sinais dos tempos, disposição para o alargamento da razão e do coração. Assim é que o tem da ecologia ganha, no tempo do Concílio Vaticano II, novas dimensões. Passa-se de uma abordagem criacional para uma ecologia ambiental, que considera o mundo todo como o ambiente em que se desenrola a vida humana.
O ENSINO DE JOÃO XXIII
Na sua encíclica Mater et Magistra (1961), o papa parte do princípio do destino universal dos bens e concebe a função social de sua posse não só em relação às pessoas enquanto indivíduos, mas também entre povos e nações. No plano da criação, os bens da terra têm uma função social, destinam-se à subsistência de todos, sobretudo dos pobres do Sul, do terceiro mundo (MM 116). Por isso, impõe-se repartir a riqueza produzida entre as nações (MM 165), evitando planos de predomínio das nações ricas (MM 168), impedindo novos colonialismos (MM 169). Na encíclica Pacem in Terris (1963), ele ensina que a paz na terra se consolida no respeito à ordem instituída por Deus (PT 1). Ele considera que há uma ordem maravilhosa nos seres vivos e nas forças da natureza, uma ordem que o ser humano é capaz de desvendar a fim de produzir os meios adequados para dominar essas forças, canalizando-as em seu proveito (PT 2).
O ENSINO DO VATICANO II
O Concílio Vaticano II (1962-1965) produziu 16 documentos, que abrangem todas os aspectos da vida e da missão da Igreja. Na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (1965), sobre a Igreja no mundo contemporâneo, o concílio ensina que na relação homem-natureza não basta olhar para o presente, pois está em jogo o futuro da humanidade. É preciso levar em conta o padrão de consumo, pois os recursos não são renováveis. As decisões econômicas devem considerar as necessidades individuais e coletivas da geração presente e prever o futuro (GS 70).
Pe. Vitor Galdino Feller