
A Arquidiocese de Florianópolis realizou uma coletiva de imprensa para o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O encontro contou com a presença do arcebispo metropolitano, Dom Wilson Tadeu Jönck, além de representantes de pastorais e organismos sociais da Igreja.
Participaram da coletiva Osvaldina Weber, coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa; Marcos Tramontin, secretário executivo da Cáritas SC; Pe. Gabriel Batistella, coordenador da Pastoral do Migrante; Jaskennyi Cabin, migrante haitiana que vive no Brasil desde 2016; e Jaqueline Manchein, coordenadora do Programa Moradia Primeiro.
Moradia é mais que um teto, destaca arcebispo
Ao abrir a coletiva, Dom Wilson recordou que a Campanha da Fraternidade tem início juntamente com a Quaresma, tempo de reflexão, oração e intensificação das obras de caridade. Ele ressaltou que o tema deste ano toca uma das necessidades humanas mais fundamentais.
Segundo o arcebispo, não basta apenas possuir um teto: é necessário que a moradia seja digna, com acesso a saneamento básico, energia elétrica e condições adequadas para o desenvolvimento da vida familiar e comunitária.
Iniciativas buscam enfrentar a realidade da população de rua
Representando a Cáritas em Santa Catarina, Marcos Tramontin apresentou as ações desenvolvidas junto à população em situação de rua, como pontos de apoio para alimentação, auxílio na regularização de documentação e encaminhamento para benefícios sociais.
Jaqueline Manchein destacou o trabalho do Programa Moradia Primeiro, que viabiliza o acesso imediato à moradia para pessoas em situação de rua, por meio de aluguéis subsidiados com recursos provenientes de emenda parlamentar. A iniciativa busca oferecer estabilidade como ponto de partida para a reconstrução de projetos de vida.
Idosos e migrantes também enfrentam desafios
A coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa, Osvaldina Weber, chamou atenção para a realidade de muitos idosos que já não conseguem viver sozinhos e carecem de apoio familiar ou recursos financeiros para garantir uma moradia adequada. A pastoral realiza visitas regulares e, quando necessário, encaminhamentos para instituições de acolhimento.
Já o coordenador da Pastoral do Migrante, Pe. Gabriel Batistella abordou as dificuldades enfrentadas por quem deixa seu país de origem em busca de novas oportunidades. Segundo ele, a questão da moradia acompanha o migrante desde a partida, muitas vezes repentina. Ao chegar ao Brasil, muitos enfrentam situações de vulnerabilidade, inclusive sendo enganados e encontrando na rua a única alternativa inicial.
“A casa é segurança para todos, e por isso é direito”, afirmou o sacerdote.
Testemunho de recomeço
Encerrando a coletiva, Jaskennyi Cabin compartilhou sua experiência como migrante haitiana no Brasil há dez anos. Ela relatou as incertezas vividas ao chegar ao país e as dificuldades para manter a moradia diante da instabilidade comum a quem está recomeçando a vida em uma nova nação.
