Foto destacada: Fabíola Goulart
Abrindo mais um ano de propostas de lectio divina no Jornal da Arquidiocese, apresentamos alguns números dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, escritos entre 1522 e 1541. Nesta parte de seu escrito, o santo nos fala sobre o modo de contemplar com os cinco sentidos os mistérios da nossa fé, imaginando as passagens bíblicas, vendo os personagens e seus gestos, ouvindo suas palavras, inserindo-nos na situação, para tirarmos maior proveito desta contemplação.
Estas indicações podem ser bem aproveitadas para nossa lectio divina pessoal e comunitária, e ajudam-nos a perceber que os sentidos corporais, criados por Deus, são portas para o infinito.
Diz Santo Inácio, nos números 122-125 dos Exercícios:
122. O primeiro ponto é ver as pessoas [que aparecem no texto bíblico meditado] com a visão imaginativa, meditando e contemplando suas circunstâncias particulares, e obtendo algum benefício dessa visão.
123. O segundo: ouvir com o ouvido o que dizem ou podem dizer; e refletindo sobre si mesmo, tirar algum benefício disso.
124. A terceira: sentir com o olfato e saborear com o paladar a infinita suavidade e a doçura da divindade da alma e das virtudes, segundo a pessoa que contemplamos, refletindo e aproveitando-se disso.
125. O quarto: tocar com o tato, bem como abraçar e beijar os lugares onde essas pessoas pisam e sentam-se, sempre tentando tirar proveito desta meditação.
Imaginando, pois, cada cena bíblica, as pessoas que apresenta (Jesus, seus discípulos, a multidão, por exemplo), podemos aprofundar nossa lectio divina nos seus primeiros passos (lectio, meditatio), e a partir deles fazer nossa oração e assumir nosso compromisso com Deus a partir dos impulsos que recebemos da passagem bíblica que meditamos.
