Num remoto ponto do oceano, ocorreu um naufrágio. Seis pessoas conseguiram salvar-se e chegaram a uma ilha deserta, onde não havia, aparentemente, comida ou água. Não salvaram celulares, GPS, somente 06 kg de comida e 12 litros de água. Os sobreviventes eram: um menino de 02 anos, uma jovem grávida, uma adolescente de 15 anos, um casal de 28 anos e um idoso de 75 anos. Na praia, reuniram-se para discutir como sobreviver. Surgiram vários questionamentos. Fundamentalmente foram: Quanto tempo demoraria para serem socorridos? Como dividiriam a comida e a água?

Surgiram várias alternativas: Se fossem socorridos no dia seguinte todos seriam salvos sem fome ou sede. Mas, se o socorro demorasse dois dias ou quatro, ou mais dias? Como dividiriam a comida e a água? Em quantidades iguais, independentemente de idade, sexo, gravidez?

Tecnicamente, sabiam resolver o problema. Sabiam conservar água e comida pelo tempo necessário, e dividi-las conforme o que fosse decidido. Mas, tinham que tomar decisões políticas. E quais seriam?

Escolheriam um chefe para decidir pelo grupo? Ou decidiriam democraticamente, por votação? A adolescente votaria? Qual a hipótese de demora do socorro, para definir o racionamento de água e de comida?

Definidos os itens anteriores, a comida e a água seriam divididas igualmente?

Dá para imaginar que argumentos surgiriam, conforme o caráter dos sobreviventes. Alguém poderia defender rações maiores para a jovem grávida, o menino e o idoso, por serem os mais frágeis do grupo. Outro argumentou: “Ninguém tem o direito de avaliar qual a vida mais valiosa, e assim proponho que se divida igualmente”. Outro egoísta poderia defender uma quantidade de suprimentos bem menor para o idoso, pois ele já estava no fim da vida mesmo e possibilitasse maiores porções para os mais jovens.

Em nossa vida, seja qual situação que nos encontramos, sendo cristãos, temos que ser coerentes com o Evangelho, seguindo os ensinamentos de Jesus. Pois, fora desses princípios reina o desespero, o “salve-se quem puder”, a barbárie. E, mesmo que fôssemos ateus, quem sabe se o idoso saberia retirar água de plantas da ilha ou pescar com mínimos recursos que permitissem a sobrevivência do grupo por muito mais tempo!

Outro exemplo: Os governantes têm, pela arrecadação de impostos, opções: ou construir casas populares, ou usinas, ou investir em Saúde Pública, ou na Educação, estradas, transporte coletivo, etc… Mas, de uma maneira ou outra os recursos são limitados. Quais serão as prioridades? A decisão é política.

Assim, não adianta dizer que não gosta, não quer saber de política, pois se você não tomar decisões políticas, alguém o fará por você.

A política, no seu sentido puro, é uma das atividades mais nobres que um cidadão pode exercer, buscando a otimização dos recursos, reduzindo a desigualdade social, preservando o meio ambiente, etc.

Mas porque os políticos tem péssimo conceito? O povo diz: “São todos safados, não querem trabalhar, só fazem promessas e não cumprem…”. Será que todos ou a maioria é assim? Em, todas as profissões, há bons e maus profissionais. Há médicos bons e honestos e médicos ruins e desonestos. E o mesmo vale para os engenheiros, taxistas, comerciantes, operários, etc…

Mas houve progressos na democracia brasileira. As férias dos parlamentares reduziram-se de 90 para 45 dias, e aprovou-se com uma grande ajuda da Igreja Católica, OAB e outras entidades a Lei da Ficha Limpa.

E não adianta ficar resmungando dos maus políticos e lavarmos as mãos como Pilatos. É preciso que os cristãos sejam cidadãos conscientes, interessados pela vida política do município, do Estado, do País, para que possamos eleger pessoas honestas, comprometidas com a construção de um País em que todos os cidadãos possam crescer em oportunidades de educação, saúde, moradia, emprego. Onde todas as pessoas, independentemente da posição social e econômica possam ter o mesmo valor e dignidade.

Artigo escrito por Claudio Corradini

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