Este é o tema da Campanha da Fraternidade 2018. A Gaudium et Spes, documento do Vaticano II, no número 10, ajuda a entender a realidade da violência no mundo. “Os desequilíbrios de que sofre o mundo hodierno estão ligados com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem”. Como se vê, no íntimo do ser humano há um desequilíbrio. Continua a Gaudium es Spes: “Como criatura, o homem sente-se limitado e ao mesmo tempo sente-se ilimitado nos seus desejos”. Prossegue: “sofre em si mesmo da divisão, da qual tantas e tão grandes discórdias se originam para a sociedade”. E conclui: “À luz de Cristo, a Igreja quer iluminar o mistério do homem e cooperar na solução das principais questões do nosso tempo”.

O Natal de Cristo confirma a mesma esperança. A presença de Cristo traz paz. Na medida em que os homens caminharem na busca de Cristo, construirão a paz na terra. Os reis magos representam a humanidade toda que caminha à procura de Cristo. Diante do Menino se dão conta de que não devem tomar o caminho que leva a Herodes. Herodes representa a busca daquelas coisas que destroem a paz no mundo.

A vida de São Paulo, narrada nos Atos dos Apóstolos, ilustra o que estamos falando. “Saulo, entretanto, respirava ameaças de morte contra os discípulos do Senhor” (At 9,1). Já o capítulo anterior dizia: “Saulo devastava a Igreja recém-nascida, invadia lares e aprisionava seus moradores, homens e mulheres” (At 8,3).

Na estrada de Damasco teve um encontro com Cristo. Cercado por uma luz resplandecente, caiu por terra e escutou uma voz. Neste momento cai Saulo, o inimigo; levanta-se Paulo, o discípulo apaixonado, instrumento escolhido para pregar o nome de Cristo perante as nações. Santo Agostinho também se expressa desta maneira: “Tu brilhaste, resplandeceste e curaste minha cegueira”(Confissões).

O mundo da violência é treva, ausência de luz. É preciso vislumbrar um outro caminho, sair das trevas e seguir a luz. Cristo é a luz do mundo.

Por: Dom Wilson Tadeu Jönck, scj

Artigo publicado na edição de fevereiro de 2018, nº 242, do Jornal da Arquidiocese, página 02.

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