Estamos iniciando nessa edição do Jornal da Arquidiocese a leitura guiada das cartas de S. Paulo. Nesse número, faremos uma introdução à primeira delas na ordem canônica, isto é, a carta aos Romanos. Ela foi escrita, quanto é possível dizer, enquanto S. Paulo estava na cidade grega de Corinto, preparando-se para retornar a Jerusalém (cf. Rm 15,25), pelos anos 57-58. Seu desejo era, depois das missões por toda a parte oriental do Mediterrâneo (“desde Jerusalém até o Ilírico”, Rm 15,19), de partir para o extremo ocidente europeu, especialmente para a Espanha (Rm 15,24). Antes disso, queria visitar Roma, “um desejo antigo” (Rm 1,13), cuja comunidade cristã possuía boa reputação de fidelidade ao Senhor (Rm 1,8), mas que ele não conhecia pessoalmente.

A carta que Paulo lhes envia, portanto, é uma inicial exposição do “seu Evangelho”, isto é, daquilo que ele tem anunciado em outras cidades, expressão do ministério apostólico a ele confiado. Não se trata de um compêndio ou síntese da teologia cristã, nem um sumário da doutrina paulina, pois diversos temas abordados em outras cartas não estão presentes em romanos (por exemplo: a Igreja, a Eucaristia, a ressurreição dos corpos, o juízo final). A carta aos romanos é, de fato, um ensaio de suas reflexões missionárias a respeito da Salvação que Deus, em sua bondade e misericórdia, oferece a todos os seres humanos por meio da fé em Jesus Cristo.

Antes de empreender a viagem de retorno, S. Paulo fez uma coleta entre os convertidos gentios para ajudar os pobres da Igreja mãe de Jerusalém (1Cor 16,1). Essa partilha material manifestava gratidão pelo dom espiritual que os missionários da primeira comunidade portaram ao mundo (Rm 15,27). S. Paulo pediu aos romanos que rezassem para que essa oferta fosse aceita com o  espírito justo (Rm 15,31), pois sabia da existência de desconfiança em relação à abertura da fé aos pagãos. Talvez S. Paulo desejasse que essas orações ajudassem também no justo acolhimento dos ensinamentos presentes nessa carta.

Por Pe. Gilson Meurer

Publicado na edição de julho/2018, nº 247, do Jornal da Arquidiocese, página 08.

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