Rezamos tantas vezes a “Salve Rainha”. Mas como entender Nossa Senhora Rainha? Na verdade ela exerce a sua função como regente. Sabemos que o regente exerce a autoridade em nome de outro, aquele que detém o poder. E existem tantos exemplos de maus regentes que abusam da confiança e usam o poder para o seu bem particular. Mas há bons regentes. Estes têm como características a lealdade e a comunhão de mente, coração e orientação. Esta postura permite ao regente administrar de acordo com a intenção do rei.

Maria mostra-se acessível. Este é um traço da sua regência. Podemos chegar a ela. Mesmo que tenha subido ao céu em corpo e alma, ela continua presente entre os seres humanos em qualquer situação em estejam vivendo. Ela não é divina, é totalmente humana. Ela nos faz sentir que é da nossa terra, da nossa raça, portanto próxima de nós. Por isso podemos dizer “rogai por nós que recorremos a vós”.

Da mesma forma que está intimamente unida a Deus, não consegue estar longe de nós. Através de sua feminilidade podemos entender algumas das verdades mais profundas do coração de Deus. Ela é a “mãe da misericórdia”. Ela faz com que o pecado não nos torne repugnantes diante dela. Apesar do pecado ela não desiste de nós. Não sente nojo de nós por causa do pecado, mas sente pesar. Sente compaixão de nós pelo que sofremos por causa do pecado que cometemos e pelas atividades pecaminosas que povoam a nossa mente. Sem partilhar do nosso pecado, Maria partilha do pesar que o pecado nos causa. Ela reza para que sejamos livres dos nossos pecados.

Mesmo quando estamos em pecado Maria continua a nos amar. Quando alguém nos acusa do pecado que cometemos, tendemos a endurecer o coração contra tal pessoa. Mas quando nos sentimos acolhidos, apesar do nosso pecado, nos “entregamos”. Somos capazes de reconhecer o nosso pecado, de sentir arrependimento, de pedir perdão e fazer um esforço para superá-lo. De modo misterioso, Maria tira do pecado o ferrão da vergonha. Quando uma mãe tem vários filhos e um é problemático, tende a amar mais a este, sem deixar de amar os outros.

Maria é “nossa vida, nossa doçura e nossa esperança”. Às vezes, a beleza e a doçura de Deus estão quase inacessíveis. Em Maria, ao contrário, a beleza divina está ao alcance de todos, também dos pecadores. É como a beleza das flores, dos pássaros, dos córregos.

“A ti clamamos, a ti suspiramos gemendo e chorando”. Maria compreende que estamos “exilados, distantes do Senhor (2Cor 5,6), numa terra longínqua (Lc 15), num “vale de lágrimas”. O que a atinge é que estamos sofrendo desde o nascimento até a morte. Uma vez que recebeu em seus braços o corpo do seu Filho morto, seu corpo assumiu uma postura permanente de receptividade e consolo.

Por: Dom Wilson Tadeu Jönck, scj

Artigo publicado na edição de maio de 2017 do Jornal da Arquidiocese, página 02.

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