No Tempo Pascal do Ano da Misericórdia somos convidados a reconhecer que é pela morte e ressurreição de Jesus que Deus Pai transmite-nos a sua misericórdia, libertando-nos de todo o pecado e de todo o mal.

Não pela Lei

Para o apóstolo Paulo a salvação vem da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele denunciava os judaizantes que punham a confiança salvífica nas obras da lei. Como se pudessem alcançar a salvação pela simples prática dos mandamentos. Era a tentação dos fariseus. Também hoje, dentro da Igreja, há os que confiam no muito que sabem, podem e fazem. E esquecem da necessidade absoluta da graça divina. Como Paulo, o papa Francisco assevera: “Não é a observância da lei que salva, mas a fé em Jesus Cristo, que, pela sua morte e ressurreição, traz a salvação com a misericórdia que justifica” (MV 20).

Além da justiça

Na Páscoa de Cristo, a misericórdia vai além da justiça. A misericórdia não nega, mas supõe e supera a justiça. A justiça é necessária, porque revela a importância da prática dos mandamentos, ajuda o pecador a pagar sua pena, reconcilia-o com Deus, com a comunidade e a sociedade, favorece o início da conversão e a mudança de vida. Mas a justiça por si só não é suficiente. Na ressurreição de seu Filho, Deus não se detém na justiça, mas revela sua justiça na forma de misericórdia. “Esta justiça de Deus é a misericórdia concedida a todos como graça, em virtude da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Portanto a cruz de Cristo é o juízo de Deus sobre todos nós e sobre o mundo, porque nos oferece a certeza do amor e da vida nova” (MV 21).

Sem limites

No Tempo Pascal somos convidados a experimentar o amor sem limites de Deus. Entregando-se à morte, Jesus ama “até o fim” (Jo 13,1). Ressuscitando o seu Filho, o Pai vence todo o mal presente no mundo e confirma que nenhuma maldade conseguirá superar o seu amor, que destrói todo pecado. “O perdão de Deus para os nossos pecados não conhece limites. Na morte e ressurreição de Jesus Cristo, Deus torna evidente este seu amor que chega ao ponto de destruir o pecado dos homens. É possível deixar-se reconciliar com Deus através do mistério pascal e da mediação da Igreja” (MV 22).

Artigo publicado na edição de abril/2016, nº 222, do Jornal da Arquidiocese.

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