A exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia que o Papa Francisco lançou ao povo de Deus e a todas as pessoas de boa vontade é apresentada na forma de sonhos. Sonhar é enxergar longe, é ver com os olhos fechados, é ver com outros olhos, é ver para além da realidade, é ver um outro mundo possível. Nesse caso, uma outra Amazônia possível. O papa pede que esses sonhos não sejam só do povo da Amazônia, mas de toda a Igreja em todo o mundo.

Sonho social

O papa sonha com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos indígenas, de toda a população amazônica. De modo que a voz dessas pessoas sejam ouvida e todos tenham condições de vida digna. Com as hidrelétricas, as madeireiras, as agências mineradoras e petrolíferas, o mercado avança sem nenhuma ética sobre as populações, obrigadas a fugir de suas terras, e sobre as florestas, cada vez mais arrasadas. Isso é injustiça e crime, que precisam ser denunciados e evitados.

Sonho cultural

O papa sonha com uma Amazônia que preserve a diversidade cultural. Cada povo que lá vive conseguiu sobreviver a séculos de lutas e possui sua própria identidade cultural. É preciso ajudar as novas gerações a cultivar as próprias raízes culturais e não se deixarem levar pela ilusão do consumismo e do individualismo, que produzem discriminação, desigualdade e exclusão das minorias.

Sonho ecológico

O papa sonha com uma Amazônia que guarde com zelo a vida transbordante e a beleza natural de seus animais, rios e florestas. “O grito da Amazônia chega a todos, porque a conquista e a exploração de recursos chega a ameaçar a própria capacidade acolhedora do ambiente. O ambiente como ‘recurso’ corre o perigo de ameaçar o ambiente como ‘casa’” (QA 48). Na ganância de recursos, destrói-se a casa onde se vive.

Sonho eclesial

O papa sonha com uma Amazônia repleta de comunidades cristãs capazes de se encarnar naquelas culturas para dar à Igreja novos rostos com traços amazônicos. Uma Igreja que anuncie sem medo o Evangelho de Cristo, que se empenhe pelo enraizamento do Evangelho naquelas culturas. Uma Igreja que resplandeça com santidade amazônica, que celebre com liturgia amazônica, que evangelize com catequese amazônica, que sirva ao povo de Deus com ministérios amazônicos. Uma Igreja com rosto amazônico.

Artigo publicado na edição de março de 2020 do Jornal da Arquidiocese, página 5.

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