O documento sobre os leigos, lançado pela CNBB (Doc. 105) na última assembleia, apresenta alguns entraves que impedem o cristão de viver sua fé de modo mais maduro e integrado. São oposições que estão enraizadas na mentalidade e na prática dos fiéis e das comunidades (133). Há realidades que deveriam estar relacionadas e que empobrecem a vida de fé quando vividas separadamente.

Uma realidade apresentada é a oposição entre fé e vida. Muitos cristãos vivem sua vida de fé em um contexto separado do mundo onde transcorre a vida. A fé diz respeito só ao que é espiritual, sagrado, ao culto, aos sacramentos. Ao passo que a vida do dia a dia – o trabalho, os compromissos familiares, a educação dos filhos, a política – é vivida em um mundo separado, até mesmo em oposição ao mundo da fé. O Evangelho ensina que a fé deve manifestar-se em todas estas realidades.

Outra oposição é entre sagrado e profano. Isto acontece quando colocamos lugares, pessoas, tempos, situações de um lado, e no outro lado, situações, pessoas, lugares, que são vistos como separados de Deus ou indiferentes à dimensão religiosa.

O Evangelho mostra que Jesus não frequentou só lugares sagrados. Ele se relacionava com todo tipo de pessoa, frequentava lugares festivos. A vida cristã não pode ser vivida só no espaço considerado sagrado.

Há ainda uma oposição entre Igreja e mundo. Neste caso, a Igreja é vista como lugar do encontro com Deus e o mundo é o lugar do pecado e da maldade. Assim, a vida cristã é vivida como um afastar-se do mundo e se refugiar na Igreja. Mas é neste mundo que o cristão deve ser sal e luz. O documento diz que o leigo é chamado a ser sujeito na Igreja e no mundo..

Por: Dom Wilson Tadeu Jönck, Arcebispo de Florianópolis

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