Por Pe. Alcides Albany Amaral
Coordenador de Pastoral

No dia 8 de dezembro de 2020, O Papa Francisco convocou o Ano de São José com a Carta Apostólica Patris Corde – Com Coração de Pai – para celebrar os 150 anos da Declaração de São José, Esposo de Maria, como Padroeiro da Igreja Católica. O objetivo desta carta apostólica é aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo.

Na Introdução, o Papa faz memória da presença de São José nos quatro evangelhos. Embora Mateus e Lucas deem mais destaque à presença de São José no chamado Evangelho da Infância, em todos os quatro Jesus é denominado como “filho de José”. Assim fomos informados que São José era um humilde carpinteiro (cf. Mt 13, 55), desposado com Maria (cf. Mt 1, 18; Lc 1, 27); um “homem justo” (Mt 1, 19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada na sua Lei (cf. Lc 2, 22.27.39). Depois de uma viagem longa e cansativa de Nazaré a Belém, viu o Messias nascer em um estábulo, “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 7). A carta destaca que José teve a coragem de assumir a paternidade legal de Jesus, a quem deu o nome revelado pelo anjo: “tu lhe porás o nome de Jesus, pois Ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 21). No Templo, quarenta dias depois do nascimento, José – junto com Maria – ofereceu o Menino ao Senhor e ouviu, surpreendido, a profecia que Simeão fez a respeito de Jesus e sua Mãe (cf. Lc 2, 22-35). Para defender Jesus de Herodes, residiu como forasteiro no Egito (cf. Mt 2, 13-18). Regressado à pátria, viveu no interior da pequena e ignorada cidade de Nazaré, na Galileia. Foi precisamente durante uma peregrinação a Jerusalém que perderam Jesus (quando tinha doze anos) e José e Maria, angustiados, andaram à sua procura, acabando por encontrá-lo três dias mais tarde no Templo discutindo com os doutores da Lei (cf. Lc 2, 41-50). O Papa Francisco ainda lembra os títulos que São José recebeu em outros pontificados: “Padroeiro da Igreja Católica” (Beato Pio IX); “Padroeiro dos operários” (Pio XII); “Guardião do Redentor” (São João Paulo II); “Padroeiro da boa morte” (invocação popular). O Pontífice ainda afirma que todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e um guia nos momentos de dificuldade.

No primeiro capítulo, Um Amado Pai, o Papa afirma que a grandeza de São José consiste no fato de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus. E é justamente por este seu papel na história da salvação que São José é um pai que foi sempre amado pelo povo cristão, como prova o fato de lhe terem sido dedicadas numerosas igrejas por todo o mundo.

No segundo capítulo, Pai Na Ternura, o Papa fala da relação de São José com Jesus no cotidiano familiar. Dia após dia, José via Jesus crescer “em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). “Jesus viu a ternura de Deus em José”. A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe.

No terceiro capítulo, Pai Na Obediência, o pontífice lembra que assim como Deus manifestou a Maria o seu plano de salvação, da mesma forma também revelou a São José seus desígnios. Evidencia a angústia que José sente com a gravidez incompreensível de Maria, mas, para não “difamá-la”, decide “deixá-la secretamente” (Mt 1, 19). E é o anjo quem o ajuda a resolver o seu grave dilema: “Não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois Ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 20-21). A resposta de José foi imediata: obedeceu ao anjo e salvou Maria. Recorda ainda a obediência em tomar o Menino e sua Mãe e fugirem para o Egito. E depois, a mesma obediência para regressar à terra de Israel. Conclui o Papa que José soube sempre pronunciar o seu “fiat” (faça-se), assim como Maria na Anunciação e Jesus no Getsêmani. Ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José, Jesus aprendeu a fazer a vontade do Pai. O Papa destaca que “José foi chamado por Deus para servir diretamente à pessoa e à missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação”.

No quarto capítulo, Pai No Acolhimento, a Patris Corde afirma que José acolheu incondicionalmente Maria, e, mesmo não tendo todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. “O acolhimento é um modo pelo qual se manifesta, na nossa vida, o dom da fortaleza que nos vem do Espírito Santo. Só o Senhor pode nos dar força para acolher a vida como ela é, aceitando até mesmo as suas contradições, imprevistos e desilusões”. O que Deus disse ao nosso Santo – “José, Filho de David, não temas…” (Mt 1, 20) –, parece repeti-lo a nós também: “Não tenhais medo!” Assim, longe de nós pensar que crer signifique encontrar fáceis soluções consoladoras. Antes, pelo contrário, a fé que Cristo nos ensinou é a que vemos em São José, que não procura atalhos, mas enfrenta de olhos abertos aquilo que lhe acontece, assumindo pessoalmente a responsabilidade por isso. O acolhimento de José convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tais como são, reservando uma predileção especial pelos mais frágeis, porque Deus escolhe o que é frágil (cf. 1 Cor 1, 27).

No quinto capítulo, Pai Com Coragem criativa, o Papa afirma que esta coragem aparece sobretudo quando se encontram dificuldades. É através de José que Deus interveio de forma direta e clara. Assim Deus salva o Menino e sua Mãe. Em Belém, não encontrando lugar para Maria dar à luz, consegue um estábulo e prepara-o para acolher o Filho de Deus. Para o defender de Herodes, que quer matar o Menino, organiza a fuga para o Egito. Lá, em país estrangeiro, teve que prover alimentação, casa, trabalho. Por isso podemos dizer que São José é verdadeiramente padroeiro de todos os que se veem obrigados a deixar sua terra por causa das guerras, do ódio, da perseguição e da miséria. “No fim de cada acontecimento que tem José como protagonista, o Evangelho observa que ele se levanta, toma consigo o Menino e sua mãe e faz o que Deus lhe ordenou (cf. Mt 1, 24; 2, 14.21). Com efeito, Jesus e Maria, sua mãe, são o tesouro mais precioso da nossa fé”. Deus confia em José para defender, proteger, cuidar e criar o seu Filho que vem ao mundo e assume a condição de tão grande fragilidade. Maria também encontra em José aquele que salvará a sua vida e sustentará a ela e ao Menino. Por este motivo São José é chamado de Guardião da Igreja, porque a Igreja é o prolongamento do Corpo de Cristo na história. “De José devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino e sua Mãe; amar os Sacramentos e a caridade; amar a Igreja e os pobres. Cada uma destas realidades é sempre o Menino e sua Mãe”.

O sexto capítulo, Pai Trabalhador, apresenta São José como exemplo e Patrono dos Operários. “Um aspecto que caracteriza São José é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho”. “Como poderemos falar da dignidade humana sem nos empenharmos para que todos, e cada um, tenham a possibilidade dum digno sustento?” O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho. Peçamos a São José Operário que encontremos vias por meio das quais possamos colocar em prática o seguinte: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!

No sétimo capítulo, Pai Na Sombra, O Papa Francisco menciona “o escritor polaco Jan Dobraczyński, no seu livro A Sombra do Pai, que narrou a vida de São José em forma de romance. Com a sugestiva imagem da sombra, apresenta a figura de José, que é, para Jesus, a sombra na terra do Pai celeste: guarda-O, protege-O, segue os seus passos sem nunca se afastar d’Ele”. O pontífice lembra que “não se nasce pai, torna-se tal… E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito”. A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo. Naquele homem nunca se nota frustração, mas apenas confiança. “Todas as vezes que nos encontramos na condição de exercitar a paternidade, devemos lembrar-nos de que nunca é exercício de posse, mas “sinal” que remete para uma paternidade mais alta. Em certo sentido, estamos sempre todos na condição de José: sombra do único Pai celeste, que faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus, e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores (Mt 5, 45); e sombra que acompanha o Filho”.

Só nos resta implorar, de São José, a graça das graças: a nossa conversão.

Dirijamos-lhe a nossa oração:
Salve, guardião do Redentor
e esposo da Virgem Maria!
A vós, Deus confiou o seu Filho;
em vós, Maria depositou a sua confiança;
convosco, Cristo tornou-se homem.
Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós
e guiai-nos no caminho da vida.
Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,
e defendei-nos de todo o mal. Amém!

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