Ao convocar o sínodo o Papa Francisco afirma que “o caminho sinodal é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja no terceiro milênio”. Diz ainda que iluminados pela Palavra de Deus e unidos em oração seremos capazes de discernir os processos para procurar a vontade de Deus neste momento da história. Deus chama a uma comunhão mais profunda e a uma participação mais plena. Como se vê, a ideia de renovação está presente. Espera um momento novo na caminhada da Igreja.

 A viagem é uma boa figura para entender a sinodalidade como um caminho a ser trilhado. A viagem é uma experiência para o ser humano entender a si mesmo. É uma etapa de descoberta e de construção da própria vida. A fé se apresenta como uma viagem. Abraão é um viandante. Moisés também recebe uma missão na itinerância. O próprio Jesus não tinha onde reclinar a cabeça. Foi também em uma viagem que aconteceu para Paulo o encontro decisivo da sua vida. A queda no caminho de Damasco teve renovado o seu olhar de si mesmo, do mundo e do próprio Deus. A respeito desse acontecimento, ele diz que Deus descobriu nele o que estava escondido.

Como se vê, na viagem empreendida por Paulo não há só elementos exteriores. Há também uma viagem para o interior de si. Nas três descrições da sua conversão presentes nos Atos dos Apóstolos há três elementos que podem ser destacados. Em At 9 há um choque entre luz e cegueira. Diante da luz que surge, se desfazem as suas representações de Deus, de si e do mundo. No caminho da sinodalidade é necessário uma nova compreensão da realidade. Em At 22 o elemento é a voz. Paulo escuta o que os outros não escutam. Assim como a escuta da Palavra de Deus formou o povo da antiga aliança, há de formar também o povo da nova aliança.

Em At 26 o destaque é para o ver. A conversão de Paulo não é uma doutrina. Trata-se de um acontecimento pessoal experimentado e visto por Paulo. Não é só um olhar com os olhos da carne, mas com os olhos da fé. Passa-se do ver para o crer. Como para Paulo, a viagem do peregrino é cheia de provações, de fatos inesperados, de contrariedades. Por isso escreve em Ef 3,17ss que o Espírito “faça Cristo habitar em vossos corações pela fé… Assim estareis capacitados a entender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade do Amor de Cristo que ultrapassa todo entendimento”.

Dom Wilson Tadeu Jönck

 

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