Padre Rafael Aléx

A Arquidiocese promoveu, no dia 28 de julho, a 30º Assembleia Arquidiocesana de Pastoral. Participaram presbíteros, religiosos, diáconos, seminaristas e leigos das 71 paróquias, tendo como local, o Centro de Evangelização Angelino Rosa (CEAR).

O objetivo desta assembleia foi a discussão dos sacramentos, visando a orientação para suas celebrações, em nível arquidiocesano.

O pároco da Paróquia São Judas Tadeu, de Barreiros, São José, Pe. Rafael Aléx Lima da Silva, explicou o tema: “Os sacramentos e suas dimensões teológica, pastoral, canônica e litúrgica”.

Em uma entrevista ao Jornal da Arquidiocese, Pe. Rafael, que também é o Coordenador Geral da Comissão Arquidiocesana de Liturgia, explicou um pouco sobre os sacramentos. Confira.

 

Jornal da Arquidiocese (JA): Para o senhor, o que significa o sacramento?

Padre Rafael Aléx: Bem, a questão dos sacramentos é um tema fundamental e importante para nós, como Igreja e como Arquidiocese. Além disso, estamos aqui reunidos depois de um processo longo de revisão, justamente para fazer esta revisão final das orientações pastorais em vista de um serviço melhor, mais coerente, para o povo de Deus em geral. A gente encontra algumas dificuldades pastorais, que identificamos nas nossas comunidades nesses últimos anos. Então é também a procura de não negar, mas de enfrentar esses desafios e de procurar dar uma resposta adequada.

 

JA: O senhor acha que a falta de envolvimento espiritual está ligada com a forma em que se situa o mundo de hoje?

Padre Rafael: Bem. Também! Sejamos nós, que somos padres e os membros do povo de Deus que são lideranças, que participam ou os que não participam tanto;  todos nós estamos inseridos nesse contexto do mundo de hoje, que nos apresenta tantas vezes outros caminhos e direções. Eu falava da questão da indiferença, enfim, do mundo. Que nos apresenta esses outros caminhos. Então há sempre essa tentação de nos levar a ver, talvez, os sacramentos como algo do passado, sem essa base espiritual fundamental que nos coloca em comunhão com Deus, e que vai nos aperfeiçoando durante a nossa vida. Para que nos tornemos, assim, sempre mais semelhantes a Cristo.

JA: No seu ponto de vista com base na Igreja, tem algum sacramento que se destaca?

Padre Rafael: Os sacramentos, todos são importantes. Cada um na sua especificidade e na situação vivencial concreta a que ele diz respeito. Então, claro, a base para todo cristão católico são os sacramentos da Iniciação à Vida Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. Não é o caso, creio, de dizer qual é o mais importante; mas eles se referenciam. Não é que o Batismo isole os outros dois ou coisa do tipo. O Batismo aponta para a Crisma e a Eucaristia, como a Eucaristia supõe o Batismo e a Crisma, e assim por diante. Então, na verdade, eles se relacionam, necessariamente, mutuamente. São a base para todos: leigos, padres, religiosos. Sobre essa base é que vão construindo o restante.

 

JA: Na palestra, o senhor comentou que a Crisma é um dos sacramentos mais deixados de lado. Acredita que é pela idade ou pela sociedade atual em que vivemos?

Padre Rafael: As duas coisas! Há essa banalização e indiferença, há o problema, até o presente momento, em que a Crisma era celebrada ali pelos 15 ou 16 anos, um período complicado de crises próprias. Então, é difícil você querer propor algo. Claro que há exceções, e que esse algo crie raízes numa situação complicada já de crises. É por isso que a ideia de antecipar a Crisma, creio que seja a mais certa. Até, como dizia na questão das sequências dos sacramentos, a forma mais lógica seria ter a Eucaristia no final; quem sabe futuramente retome esse tema em nível nacional. Mas, o mais importante agora é que, reestruturando esse processo da Iniciação à Vida Cristã, começando a preparação aos nove anos, a criança vai e, logo em seguida, já continua o caminho em via de concluir o percurso, recebendo a Crisma mais cedo. Quem sabe, aos poucos, conseguimos superar essa dificuldade.

Leia mais sobre a assembleia: Arquidiocese promove 30ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral

Entrevista concedida para Fernanda Brüggemann, da Pascom da Paróquia São José.

 

 

 

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