O capítulo IV da exortação apostólica Amoris Laetitia é dedicado ao amor conjugal e familiar. É uma obra-prima, que merece ser lida pelos casais cristãos e pelos jovens que se preparam para o casamento. É útil também para profissionais (padres, agentes de pastoral familiar, psicólogos) que trabalham com aconselhamento conjugal e familiar. Vamos nos deter nesse capítulo durante alguns meses, a fim de aproveitarmos bem a riqueza de seus ensinamentos.

Aperfeiçoar o amor dos cônjuges

O Papa Francisco diz que “não poderemos encorajar um caminho de fidelidade e doação recíproca, se não estimularmos o crescimento, a consolidação e o aprofundamento do amor conjugal e familiar”. E recorda que o objetivo da graça do sacramento do matrimônio “é aperfeiçoar o amor dos cônjuges” (AL, 89). Inspirado no hino à caridade (1Cor 13,4-7), o papa quer ajudar casais e famílias a crescer, aprofundar e aperfeiçoar o amor, em sua beleza e profundidade.

Ser paciente e benfazejo

A primeira base do verdadeiro amor é a paciência. Ser paciente é controlar os impulsos, evitar agressões, dar tempo ao arrependimento de quem nos ofende, atuar com misericórdia e compaixão. Sem paciência é impossível conviver, tornamo-nos antissociais, incapazes de dominar os impulsos, ultrajes, gritarias. A família vira praça de guerra; o próximo torna-se estorvo a ser eliminado. Ser paciente é reconhecer que o outro tem direito a conviver comigo, com seu modo de ser e pensar. Ser benfazejo é fazer o bem, promover o outro, doar-se pela felicidade do próximo, sem calcular ganho ou pagamento, mas apenas pela alegria de servir e fazer o bem. Ser paciente e benfazejo é ser como Deus, que controla a sua ira e se preocupa em fazer-nos o bem.

Não ser invejoso, arrogante e orgulhoso

O invejoso fica triste com a felicidade e o bem-estar do próximo. O amor cristão não se entristece, mas se alegra com os sucessos do próximo, aceita os dons distintos e os caminhos diferentes das pessoas. O arrogante e presunçoso deseja mostrar-se superior, se engrandecer, contar vantagem. O verdadeiro amor é humilde, faz-se fraco com os fracos, para compreender, cuidar, ajudar o próximo. O orgulhoso segue a lógica da competição e do domínio sobre os outros. O verdadeiro amor segue a lógica do serviço e da ajuda mútua.

Artigo publicado na edição de setembro/2016, nº 227, do Jornal da Arquidiocese.

1 Comentários, RSS

  • Dirce Pacheco

    diz em:
    20 de janeiro de 2017 às 15:23

    Continuação da reflexão sobre o Hino da caridade

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