Na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia sobre o amor na família, o Papa Francisco quer “encorajar a todos a serem sinais de misericórdia e proximidade para a vida familiar, onde esta não se realize perfeitamente ou não se desenrole em paz e alegria” (AL, 5). O papa convida a fazer da misericórdia, da integração e da caridade os princípios-chave para acompanhar, discernir e integrar as pessoas, casais e famílias em situação de fragilidade.

O princípio da misericórdia

Ao assinalar a situação de casais e famílias na miséria, na dimensão moral, religiosa, social ou econômica, o papa solicita: “Nas situações difíceis em que vivem as pessoas mais necessitadas, a Igreja deve dedicar especial atenção em compreender, consolar e integrar, evitando impor-lhes um conjunto de normas, tendo como resultado fazê-las sentirem-se julgadas e abandonadas precisamente pela Mãe que é chamada a levar-lhes a misericórdia de Deus” (AL, 49). Não se trata de conformar-se com os pecados do mundo, mas de acolher as pessoas em sua situação de fragilidade, com o perdão divino.

O princípio da integração

Na análise de casamentos e famílias deve-se buscar a maior integração possível, valorizando tudo o que há de bom na vida das pessoas. “A Igreja não deixa de valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimônio” (AL, 292). Por isso, o papa insiste: “Trata-se de integrar a todos, deve-se ajudar a cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objeto de uma misericórdia imerecida, incondicional e gratuita” (AL, 297).

O princípio da caridade

Com a misericórdia e a busca da maior integração possível, prevalece o caminho da caridade, que é o mandamento novo do Senhor Jesus. “Em toda e qualquer circunstância, perante quem tenha dificuldade em viver plenamente a lei de Deus, deve ressoar o convite a percorrer a via caritatis (o caminho da caridade). A caridade fraterna é a primeira lei dos cristãos (Jo 15,12; Gl 5,14)” (AL, 306).

Sem negar o valor da doutrina, valoriza-se o atendimento pastoral, com a predominância da lógica da misericórdia pastoral.

Artigo publicado na edição de julho/2016, nº 225, do Jornal da Arquidiocese.

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