Misericórdia e diálogo – Por Pe. Vitor Feller

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Misericórdia e diálogo – Por Pe. Vitor Feller

Na bula Misericordiae Vultus de proclamação do Jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco lembra que “a misericórdia possui uma valência que ultrapassa as fronteiras da Igreja” (MV, n. 23) e sugere aos católicos irem ao encontro das igrejas e religiões para aprendermos juntos a praticar a misericórdia divina.

Lutero e a misericórdia

No ano que vem celebraremos 500 anos da Reforma Protestante. Lutero, que exaltou muito a misericórdia divina, foi chamado de homem de Deus pelo Papa Bento XVI. O documento preparatório desse quinto centenário, “Do conflito à comunhão”, destaca que hoje, “o caminho do ecumenismo possibilita a luteranos e católicos apreciarem juntos as visões de Lutero e sua experiência espiritual no Evangelho da justiça, que é também misericórdia” (n. 244).

Judaísmo e misericórdia

O Papa Francisco ressalta que “Israel foi o primeiro [povo] que recebeu esta revelação [da misericórdia], permanecendo esta na história como o início duma riqueza incomensurável para oferecer à humanidade inteira. As páginas do Antigo Testamento estão permeadas de misericórdia, porque narram as obras que o Senhor realizou em favor do seu povo, nos momentos mais difíceis da sua história”. São Paulo insistia que recebemos de Israel a lei e as promessas, os patriarcas e os profetas, o próprio Cristo e os seus apóstolos. Para conhecer e amar o Deus misericordioso do Novo Testamento, é necessário voltar ao Primeiro Testamento, para encontrar nele, na forma de anúncio, os símbolos de Cristo e da Igreja.

Islamismo e misericórdia

O papa salienta ainda que “o islamismo coloca entre os nomes dados ao Criador o de misericordioso e clemente. Esta invocação aparece com frequência nos lábios dos fiéis muçulmanos, que se sentem acompanhados e sustentados pela misericórdia na sua fraqueza diária. Também eles acreditam que ninguém pode pôr limites à misericórdia divina, porque as suas portas estão sempre abertas”. Ouvimos todo dia notícias de fanatismo e violência de grupos autodenominados islâmicos. No entanto, convém considerar que não agem em nome do Deus clemente e misericordioso, invocado pelos verdadeiros fiéis dessa religião.

Artigo publicado na edição de junho/2016, nº 224, do Jornal da Arquidiocese.

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