Amadurecer é um processo de crescimento. Madura é uma pessoa que cumpre as tarefas próprias de uma pessoa adulta. Como a maturidade é uma meta muito difícil de alcançar, no itinerário educacional se estabelece como objetivo, não a maturidade, mas o amadurecimento. Afinal, a pessoa está sempre em processo.

Os aspectos do amadurecimento humano e cristão se desenvolvem ao mesmo tempo na vida da pessoa. Para se chegar à maturidade cristã é preciso passar pelos caminhos da maturidade humana. O amadurecimento espiritual acontece quando a pessoa passa a viver a partir do centro dinâmico da fé em Cristo. Pode-se falar em crescimento da fé. João Batista usou a expressão “é preciso que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). São Paulo afirma que devemos formar Cristo em nós.

Jung define amadurecimento como um caminho de individuação. Cada pessoa avança do eu exterior, que sustenta a sua imagem, rumo ao seu interior onde encontra o verdadeiro eu. Em um primeiro momento a pessoa se empenha em modelar sua personalidade de acordo com o papel social, desenvolve instrumentos para enfrentar o mundo. Desta forma constrói a sua identidade.

Em um segundo momento o caminho de amadurecimento se caracteriza pela relativização da imagem de si. Passa a aceitar os lados obscuros e ainda não vividos da sua personalidade. É chamada a integrar as forças que agem dentro de si (sentimentos, emoções, sexualidade). Desta forma vai oferecendo, sempre mais, um espaço para construir a imagem de Deus na sua vida. A construção do ser humano se torna um nascer de Deus no coração.

Na sua reflexão, Jung lembra que somos o estábulo onde Deus nasceu. Sozinhos não conseguiremos ser palácio. O estábulo representa as coisas corriqueiras e cotidianas que, muitas vezes, queremos esconder. É justamente no estábulo que Deus quer nascer em nossa vida. Ali onde Deus nasce, dentro da pessoa, ela entra em contato com seu verdadeiro ser.

O caminho do amadurecimento não exige que a pessoa seja perfeita, sem defeitos, mas que seja íntegra. Enraizada em Deus ela exalta os traços humanos. Mostra equilíbrio ao enfrentar conflitos, apresenta disposição para lutar para melhorar a comunidade, assume responsabilidades, é atencioso nas relações, desenvolve o lado criativo e artístico.

Artigo publicado na edição de setembro de 2019 do Jornal da Arquidiocese, página 02

Por Dom Wilson Tadeu Jönck, scj