O capítulo IV da exortação apostólica Amoris Laetitia apresenta dicas práticas para a vivência do amor no casamento e na família. Ao comentar alguns versículos do hino à caridade (1 Cor 13,4-7), o papa Francisco se detém em alguns aspectos importantes da vida conjugal e familiar.

CUIDADO COM O RESSENTIMENTO

Ponto importante da vida conjugal é o perdão. Não é fácil perdoar. É mais difícil ainda quando se trata de familiares com quem temos de conviver diariamente. Muitas vezes, em vez do perdão, diz o papa, “a tendência costuma ser a de buscar cada vez mais culpas, imaginar cada vez mais maldades, supor todo tipo de más intenções, e assim o ressentimento vai crescendo e cria raízes”. Num ambiente assim, “qualquer erro ou queda do cônjuge pode danificar o vínculo de amor e a estabilidade familiar” (AL, 105). Criam-se mecanismos de autoproteção e de suspeitas. “Poder culpar os outros torna-se um falso alívio” (AL, 107). Em vez disso, é preciso educar-se para o perdão.

DISPOSIÇÃO PARA O PERDÃO

A família é o melhor lugar para se aprender a viver o perdão. Ele é “fundado em uma atitude positiva que procura compreender a fraqueza alheia e encontrar desculpas para a outra pessoa” (AL, 105). Para perdoar, é preciso primeiro fazer a experiência de ser perdoado por Deus. Pois todos somos fracos e pecadores! “Rezar com a própria história, aceitar a si mesmo, saber conviver com as próprias limitações e inclusive perdoar-se” (AL, 107) é o primeiro passo para poder perdoar as fraquezas do próximo e não levar em conta as ofensas sofridas.

ESCOLA DE ALEGRIA

É insuportável viver num ambiente onde falta o perdão. Ao contrário, é motivo de paz e felicidade viver numa casa onde reina a alegria. O casamento e a família são os primeiros lugares onde se pode experimentar a verdadeira alegria. Alegrar-se com o bem do outro, reconhecer seus valores e qualidades, apreciar suas capacidades e boas obras…, esse é o caminho da felicidade. O contrário disso é comparar-se com outro julgando-se sempre o melhor, é competir com o outro, concentrar-se sobre as próprias necessidades, ficar contente com as fraquezas do outro. “A família deve ser sempre o lugar em que uma pessoa que conquista algo de bom na vida, sabe que vão se alegrar com ela” (AL, 110).

Publicado na edição de dezembro/2016, nº 230, do Jornal da Arquidiocese.

 

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