Lectio: “Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante” (Lc 9,28b-29).

Meditatio: O evangelista Lucas narra a subida de Jesus à montanha para orar. Nas Escrituras, o monte é lugar de encontro com Deus. Moisés, por exemplo, recebeu do Senhor a revelação de seus mandamentos no monte Sinai. Elias, por sua vez, experimentou a presença de Deus no ruído de uma leve brisa no monte Carmelo.

Jesus, ao subir a montanha, levou consigo três de seus discípulos, os que lhe eram mais íntimos: Pedro, Tiago e João. A estes o Senhor manifesta sua verdadeira face. À vista deles, o Mestre se transfigura. Conversando com Moisés e Elias, Jesus dá pleno cumprimento às promessas e profecias feitas a Israel, seu povo. A Transfiguração é também um evento trinitário, um transbordamento da ação amorosa de Deus na história humana, que antecipa a glorificação pascal do Filho de Deus: a nuvem luminosa expressa a presença vivificante do Espírito Santo; a voz do Pai confirma a missão de seu Filho: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que Ele diz” (Lc 9,35).

Ao ser transfigurado, o Senhor manifesta aos discípulos o mistério de Deus. O homem Jesus revela a sua face divina. O rosto transfigurado de Cristo torna visível a face do Pai: “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14,9). O rosto brilhante do Senhor é também indício de nossa glorificação.

Oratio: “Senhor é vossa face que eu procuro, não me escondais a vossa face!” (Sl 26,8b).

Contemplatio: Diante do mistério da Transfiguração, “os discípulos ficaram calados” (Lc 9,36). No silêncio do nosso coração, contemplemos o Senhor revestido de glória e esplendor.

Missio: Na festa da Transfiguração do Senhor, reportamo-nos à experiência da iluminação de Jesus Cristo na montanha, onde Ele, com o rosto transfigurado, eleva nossa humanidade ao plano da divinização. A oração levou Jesus a transfigurar-se. Nossa missão é orar por tantos homens e mulheres desfigurados pela indiferença e opressão. Cabe a nós, cristãos, o compromisso de levar a experiência da transfiguração aos rostos marcados pelo desânimo e pelo cansaço. Confiantes, com o salmista, peçamos: “Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! (Sl 66,2).

Por Pe. Wellington Cristiano da Silva

Artigo publicado na edição nº 226 do Jornal da Arquidiocese

Agosto de 2016

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