cartaz - cf 2015“Igreja e Sociedade” é o tema da Campanha da Fraternidade de 2015. Uma das instituições da sociedade é o Estado. A relação da Igreja com o Estado através da história passou por momentos conturbados. Diria que hoje ainda não se chegou a uma solução satisfatória. Há Estados que identificam o poder estatal com a religião e em outros não se admite manifestação religiosa.

A tensão está presente no próprio Evangelho. À pergunta se se deve pagar imposto, Jesus responde que se deve “dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Assim mostra como o cristão deve proceder. No Império Romano a relação passou de perseguição para um momento de tolerância até a adoção do cristianismo como religião oficial do império. Começava assim a Cristandade, período em que o elemento religioso fundamentava toda a vida cultural e era conduzido em estreita ligação com o poder estatal.

No fim da Idade Média, a Reforma Protestante provoca uma divisão no cristianismo, e a relação Igreja-Estado em muitos casos foi resolvida pelo princípio: o povo devia seguir a religião do rei. Esta solução provocou várias guerras por motivo religioso. Na época do iluminismo se buscou um Estado que estivesse livre de qualquer ingerência religiosa. Foi um período de muita perseguição e morte. Ganhou força a ideia de república e democracia. De alguma forma este espírito perdura até hoje, em grande parte do ocidente.

No Brasil, durante o império se seguiu a prática do padroado onde o imperador tinha a última palavra nos destinos da Igreja. A separação entre Igreja e Estado deu-se com a Constituição Republicana de 1891. A partir daí a Igreja conheceu um período de muito dinamismo interno. Teve autonomia para se organizar a partir de princípios religiosos. Foram criadas muitas dioceses, paróquias, seminários.

Hoje se insiste cada vez mais na afirmação de que o “Estado é laico”. É um princípio com o qual estamos de acordo. É o Estado laico que tem o dever de dialogar com todos os segmentos que compõem a sociedade, inclusive o segmento religioso. O Estado é laico, a sociedade não.

Por: Dom Wilson Tadeu Jönck, Arcebispo de Florianópolis

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