Unsplash

No dia 3 de outubro, sobre o túmulo de São Francisco de Assis, o Papa Francisco assinou a encíclica Fratelli Tutti sobre a fraternidade e a amizade social. É um convite a sonhar com um mundo novo em que prevaleça o amor sobre o ódio, a reconciliação sobre a divisão, a acolhida sobre a exclusão.

Um mundo fechado

Na análise de nossa realidade, o papa destaca o peso do egoísmo, das divisões, exclusões, parcializações, fakenews, que nos angustiam e atrapalham na construção de uma sociedade justa. Ressalta o modo cada vez mais desumano no trato com os pobres, marginalizados, migrantes, refugiados e outros, que são tratados como sacrificáveis e descartáveis. Denuncia a insensibilidade diante do grito da Terra e dos pobres. Recrimina a deterioração da ética, a desigualdade de direitos, as novas formas de escravidão, o enfraquecimento dos valores espirituais.

Um estranho no caminho

Diante dessa realidade onde parecem vencera desesperança e a desconfiança, o papa sugere que cada um de nós é interpelado por Deus e pelo próximo, a ser um estranho no caminho. Como o Bom Samaritano, que, mesmo sendo herege aos olhos dos religiosos judeus, marcou diferença diante do ferido à beira do caminho. Viu, acolheu, socorreu, curou. Foi um estranho no caminho. Também nós somos convidados a ser estranhos. Em vez de entrar no jogo da violência, pagar o mal com o mal, entrar nas redes do ódio, somos estimulados a ser “estranhos”, diferentes, construtores de paz e fraternidade.

Um mundo aberto

Envolvidos por esse mundo fechado, a nossa diferença será sonhar, pensar e gerar um mundo aberto. Um mundo em que se acolha a pluralidade de culturas, religiões, cosmovisões, modos de pensar e agir no campo da política, da economia, da organização social. Como num poliedro, com suas diversas facetas! Como na Santíssima Trindade, onde a unidade acontece na acolhida da diversidade de três pessoas que se amam tanto e tão bem que são um só Deus! Para isso é preciso ter um coração aberto a toda pessoa que precisa de nosso amor, promover uma política que se marque pela disposição ao serviço de todos, sobretudo dos mais vulneráveis, insistir na cultura da proximidade, do encontro e do diálogo, valorizar as religiões como caminhos para a fraternidade universal.

Por Pe. Vitor Galdino Feller

Artigo publicado na edição de novembro de 2020 do Jornal da Arquidiocese, página 5.

Seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios

*