Um dos textos mais singulares da Amoris Laetitia é o capítulo IV, sobre o amor no matrimônio e na família. O papa Francisco recorda que, no hino à caridade (1 Cor 13,4-7), há quatro expressões que falam de totalidade: “tudo”. O amor é “capaz de enfrentar qualquer coisa que possa ameaçá-lo” (AL, 111).

O AMOR TUDO DESCULPA

O amor conjugal e familiar cuida para não ferir com a língua. Os pecados da língua são condenados pela Palavra de Deus. Falar mal, difamar, danificar a imagem do outro, descarregar ressentimentos e invejas, julgar e condenar o próximo, não saber controlar as palavras… A Carta de Tiago diz que a língua é “o universo da malícia”, está “inflamada pelo inferno” e “cheia de veneno mortífero” (Tg 3,6-8). Esposos que se amam falam bem um do outro, escondem as fraquezas e erros para exaltar as qualidades, aceitam-se em suas luzes e sombras, sabem-se imperfeitos, desculpam-se e guardam silêncio diante do ser amado.

O AMOR TUDO CONFIA

“A confiança torna possível uma relação de liberdade” (AL, 115). O amor não é controlador e ciumento, não aprisiona nem domina, não fica suspeitando e desconfiando de tudo. Sabe confiar e deixar em liberdade a pessoa amada. Uma liberdade que “possibilita espaços de autonomia, abertura ao mundo e novas experiências, (…) a sinceridade e a transparência, (…) uma confiança sólida e carinhosa” (AL, 115). Sem essa confiança, as pessoas começam a ocultar segredos, fingir, esconder suas quedas e fraquezas. A desconfiança destrói casamentos e famílias.

O AMOR TUDO ESPERA

O amor não desespera do futuro. Espera com paciência que o outro possa mudar, que suas qualidades possam surgir, que a beleza do amor apareça inesperadamente. Reconhece que a vida não é como a gente quer, que Deus pode escrever direito por linhas tortas, que se pode tirar o bem dos males. O amor acredita na eternidade: “lá, o verdadeiro ser da pessoa amada resplandecerá com toda a sua potência de bem e beleza” (AL, 116).

O AMOR TUDO SUPORTA

O amor conjugal e familiar mantém-se firme em meio às contrariedades e hostilidades. Resiste e é capaz de superar desafios. Apesar de tudo, não desiste. “Manifesta uma dose de heroísmo tenaz, de força contra qualquer corrente negativa, uma opção pelo bem que nada pode derrubar” (AL, 118).

Publicado na edição de fevereiro/2017, nº 231, do Jornal da Arquidiocese.

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