No latim cor / cordis significa guardar no coração e se relaciona com as palavras “concordar e discordar”, as quais podem ser entendidas como aproximar ou distanciar do coração, têm a ver com coragem e misericórdia. Com esta introdução se pode falar dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.

Na Sagrada Escritura, a palavra “coração” aparece mais de 800 vezes. Com olhar misericordioso, Jesus fala à comunidade dizendo: “Jerusalém, quantas vezes eu quis te abraçar e aproximar do coração” (Mt 23,37).

Na parábola do semeador, Jesus diz que a abundância de produção é o resultado daquele que guarda a Palavra num coração bom (Lc 8,15). João diz que o “bom pastor” é o que dá vida por suas ovelhas. Aquele que tem um “bom coração cuida das suas ovelhas”.

Já o coração de Maria se constitui no depósito de tudo o que se falava: “Maria guardava todas essas coisas no seu coração e pensava muito sobre elas” (Lc 2,19. 51).

O Papa Francisco define Jesus como o “rosto da misericórdia do Pai”. Contemplar este mistério é fonte de alegria, serenidade e paz. O coração misericordioso de Jesus sentiu compaixão da multidão que o seguia como ovelhas que não têm pastor (Mt 9,36). Por causa da misericórdia, Jesus envia os discípulos com a missão de viver a lógica do amor, da gratuidade, da acolhida e do perdão.

No documento Amoris Laetitia (A alegria do Amor), Francisco reitera que a Igreja nascida do coração ferido pela lança é uma Igreja em saída, em direção às periferias humanas, como uma casa aberta ao modo do coração de Jesus.

Cuidar e guardar da criação é o apelo da Laudato Sì, cujo convite é para que o ser humano colabore na construção da casa comum. Diante da crise ambiental mundial diz o Papa: “Nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se…”. E isto é possível porque “Deus continua a animar e tocar no mais fundo dos nossos corações”(LS 205).

Na celebração do centenário de Fátima, é importante recordar as palavras de Nossa Senhora: “O meu imaculado coração triunfará”.

Celebrar os Sagrados Corações de Jesus e Maria no terceiro milênio é um convite para agir com a compaixão de Jesus, imitando Maria a guardar no coração, produzindo muitos e bons frutos com a boa semente ali plantada.

Por: Padre Elcio Alberton – Auxilia na Paróquia dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, Barreiros – São José

Artigo publicado no Jornal da Arquidiocese, edição de junho de 2017, página 08.

 

1 Comentários, RSS

  • Solange Ribeiro

    diz em:
    2 de junho de 2018 às 20:09

    Felizes e bem-aventurados os misericordiosos porque herdarao os bens do ceus… Tive a graca de refletir as palavras aqui no texto. Que beleza e alegria Deus ter formado “Pe. Elcio” segundo um coracao misericordioso, levando vidas a ingressar e aproximar mais do Pai que age em nos quando fala pelo seu eleito. Bendito seja Deus, nosso Pai, que nos amastes por meio de Jesus Cristo. Que Maria mae Imaculada, Sao Jose, Santa Faustina, Santos (as) e o Bem Aventurado Eustaquio rogueis pelo seu ministerio, alargando sempre mais o coracao de bom pastor do rebanho e dos fihos e filhas espirituais que Deus Pai tem vos confiado. “Jesus manso e humilde de coracao, fazei nosso coracao semelhante ao Vosso! Assim seja! Amem

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