Com “Aleluia” (hallelu-Yah = “louvai o Senhor”), esse salmo abre a série final de Hallel (Sl 146-150. Confira também o Sl 113-118 e 136) que, como um carrilhão de sinos (H. Gunkel), solenemente canta os louvores a Javé criador, redentor, libertador, rei…

O salmista se recorda dos “pobres de Javé” e dos justos (v. 8), cuja única fortaleza e esperança é Javé, o Senhor (v. 5). De fato, nos nobres e filhos dos homens (de ’adam) não se pode confiar, pois seus planos voltam ao pó (’adamah) com eles (vv. 3-4). O salmo parece ter vindo à luz no contexto pós-exílico, talvez na época em que os gregos dominavam a Palestina e dividiam entre si as suas terras. O v. 10 apresenta o cerne da fé do salmo: a esperança de um Reino eterno do Senhor em Sião. Esse Reino se instaura na “fidelidade” de Deus (v. 6), virtude fundamental da aliança, que faz justiça aos oprimidos, dá pão ao afamado, liberta os prisioneiros, faz o cego ver, ergue do chão o curvado, protege o estrangeiro, que não conta com tutela tribal, sustenta o órfão e a viúva, as categorias mais indefesas (vv. 7-9).

Com Jesus, o tempo se cumpriu e esse Reino se tornou próximo (Mc 1,15). No discurso na sinagoga de Nazaré (Lc 4,16-30), ele afirmou que então (“hoje”) se cumpria a profecia de Isaías (61,1-2) de que o Messias viria para evangelizar os pobres, libertar os presos, dar vista aos cegos e liberdade aos oprimidos… (cf. vv. 7-9). O livro do Apocalipse canta jubiloso na sétima trombeta: “O reinado do mundo passou a nosso Senhor e seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos” (Ap 11,15).

Leia o salmo e reflita:

1) Quais são as obras do Senhor que manifestam o seu Reino?

2) Que resposta dá Jesus à pergunta de João: “És tu aquele que devia vir?” (leia Mt 11,2-6)

Por Pe. Gilson Meurer

Artigo publicado na edição de fevereiro/2018, nº 242, do Jornal da Arquidiocese, página 08.

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