“Sobre os rios da Babilônia” é considerada por muitos estudiosos a obra prima da poesia hebraica, pelas suas ideias simples e maravilhosamente expressas. Até o poeta português Luis Vaz de Camões (1524-1580) dedica-lhe uma ampla reelaboração lírica: Sôbolos Rios. O salmo tornou-se quase o lamento oficial de um dos momentos mais trágicos da história de Israel antigo: a destruição de Jerusalém e o exílio na Babilônia (587 aC). De fato, ele se distingue do saltério porque, mais do que uma oração, trata-se de um lamento, de uma canção nostálgica pela perda de um grande bem: “se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que me seque a mão direita!” (vv. 5-6).

O salmo encabeça uma coleção (Sl 138-145, a terceira série “de Davi”) que aborda principalmente o tema da oração contra os inimigos, que aqui são nomeados: Babilônia e Edom (1.7.8). Esses inimigos, além da destruição, provocam os exilados a cantar “cantos de Sião” (v. 3), como em um espetáculo ou curiosidade folclorística. Mas a cítara e a boca do salmista se calam, pois não há como cantar em terra estrangeira os “cantos do Senhor” (4). Ao invés, o salmista responde com a imprecação final (8-9), que exprime a dimensão da dor que eles lhes infligem.

A sua estrutura é ternária: 1-4 lamentação; 5-6 auto-maldição; 7-9 imprecação final; e uma palavra chave é “recordar’ (1.6.7). Mesmo distante, ou em ruínas, a recordação de Jerusalém deve permanecer como uma resistência à perda da própria identidade.

Leia o salmo e reflita:

 

1) Por que esse salmo se destaca no saltério?

2) Qual evento da história de Israel exprime esse salmo?

3) Qual a palavra central do salmo?

Artigo publicado na edição de abril/2017, nº 233, do Jornal da Arquidiocese

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