A primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses é o escrito mais antigo dos livros do Novo Testamento. Escrita pelos idos de 51, menos de 20 anos após a morte/ressurreição/ascensão de Jesus, ela foi conservada e, mais tarde, inserida como “Escritura inspirada por Deus”, ou seja, no cânon das Escrituras Santas. Essa carta é a primeira testemunha da gradual presença de escritos na evangelização, visto que, até então, essa acontecia oralmente.

Tessalônica é uma cidade portuária grega voltada para o mar Egeu, no Mediterrâneo. No primeiro século da era cristã, foi uma cidade comercial importante, situada na famosa “Via Egnácia”, que atravessava o império romano unindo Roma ao Oriente. Sede do governador da região, era regida por cinco ou seis “politarcas”, termo usado por Lucas em Atos 17,6-9, para designar chefes da assembleia popular. Cidade eminentemente helênica, populosa, mas contava com uma presença grande de judeus com sua imponente sinagoga. A sudoeste da região de Tessália, está o famoso Monte Olimpo, morada de Zeus e dos principais deuses da mitologia grega (os “doze deuses do Olimpo”), o que tornava toda a região marcada pelo culto pagão (1Ts 1,9). Além da luxúria (1Ts 4,3-8), facilitada pela vida portuária, parece abrangente a falta de fé na vida eterna (1Ts 4,13).

Na sua segunda viagem missionária (anos 50-53 dC.), Paulo e Silas chegam em Tessalônica. Em um sábado, como era seu costume, Paulo vai à sinagoga para dialogar com os judeus sobre Jesus Cristo, explicando como, pelas Escrituras, ele devia morrer e ressuscitar (At 17,1-3). Alguns judeus, muitos “adoradores de Deus” (provavelmente “prosélitos”, isto é, pagãos convertidos ao judaísmo) e gregos, bem como não poucas das mulheres da sociedade, converteram-se (At 17,4). Mas a inveja de outros judeus da cidade se acendeu e, agitando a multidão, foram à casa de Jasão para prender Paulo e Silas, vociferando: “estes são os que andam revolucionando o mundo inteiro” (At 17,6). Assim Paulo e Silas tiveram que abandonar a cidade. O apóstolo desejou muitas vezes retornar, mas “Satanás me impediu” (1Ts 2,18), aludindo aos que se opunham à sua obra. Então, de Atenas, Paulo enviou Timóteo para os exortar na fé (1Ts 3,13). No retorno, ele trouxe boas notícias que são a razão pela qual Paulo escreve essa carta, a qual pede ele que seja lida a todos os irmãos (1Ts 5,27). Na próxima edição, vamos ler os tópicos principais da epístola.

Por Pe. Gilson Meurer

Artigo publicado na edição de fevereiro de 2020 do Jornal da Arquidiocese, página 8.

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