filho prodigoNa bula Misericordiae Vultus para a proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco adverte: “Nas nossas paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma, onde houver cristãos –, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia” (MV 12). Reconciliação, solidariedade, atenção, cuidado, acolhida, acompanhamento, diálogo… são formas de amor cristão, do qual é carente a sociedade atual.

Reconcilização e cuidado

O documento 100 da CNBB – “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia” – ensina que “a comunidade é o lugar da reconciliação” (n. 257). E continua: “O amor fraterno, a amizade e a caridade com todos são aspectos irrenunciáveis de uma comunidade cristã” (n. 260). Num mundo marcado por práticas individualistas e escolhas egoístas, os cristãos encontram na comunidade de fé o melhor lugar para viverem a misericórdia entre si e com os necessitados de atenção, solidariedade e cuidado.

Acolhida, escuta e diálogo

É cada vez mais urgente que nossas comunidades se tornem lugares de acolhida. Hoje há muitas pessoas solitárias. Mesmo na convivência do casamento e da família, muita gente não tem condições de expressar seus sentimentos, dúvidas e dificuldades a respeito dos grandes problemas da existência. Angústias e aflições sobre o sentido da vida, sobre decisões a tomar a respeito da vida em família ou da profissão, questões religiosas na relação com Deus e com lideranças de sua Igreja. Para essas pessoas, a comunidade cristã seria o lugar da escuta e do diálogo respeitoso e paciente, do aconselhamento e do acompanhamento personalizado.

Vínculos fortes

Ao denunciar o individualismo pós-moderno e globalizado que debilita o desenvolvimento e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas e distorce os vínculos familiares, o Papa Francisco, na exortação apostólica Evangelii Gaudium pede que a ação pastoral de nossas comunidades mostre a todos “que a relação com o nosso Pai exige e incentiva uma comunhão que cura, promove e fortalece os vínculos interpessoais” (EG 67).

Que neste Ano Santo da Misericórdia nossas comunidades sejam acolhedoras como o pai misericordioso do filho pródigo.

Artigo publicado na edição de fevereiro/2016, nº 220, do Jornal da Arquidiocese.

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