O decreto Ad Gentes sobre a atividade missionária da Igreja, do Concílio Vaticano II (1962-1965), ensina que “a Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo” (AG 2). A missão da Igreja nasce da comunhão das três pessoas divinas.

Trindade: comunhão e missão

A Santíssima Trindade é a melhor comunidade. Mas não é uma comunidade fechada. Mesmo porque uma comunidade fechada tende a morrer logo. No seu amor eterno, Deus-Trindade é uma comunidade aberta, missionária. Ele sai de si e vem ao encontro da humanidade. O desígnio de Deus é salvar a todos, chamando-os à participação na vida divina, já neste mundo e, de modo pleno, na vida eterna. “Este desígnio brota do amor fontal, isto é, da caridade de Deus Pai que, sendo o Princípio sem Princípio de quem é gerado o Filho e de quem procede o Espírito Santo pelo Filho, quis derramar e não cessa de derramar ainda a bondade divina” (AG 2) sobre todo o mundo.

Igreja: imagem da Trindade

A Igreja é imagem terrena da Santíssima Trindade. Trindade no céu, Igreja na terra. Por isso a Igreja é comunidade missionária. Diz ainda o decreto Ad Gentes: “A Igreja, que é sal da terra e luz do mundo, é com mais urgência chamada a salvar e a renovar toda a criatura, para que tudo seja instaurado em Cristo e nele os seres humanos constituam uma só família e um só povo de Deus” (AG 1). Ser comunidade aberta, missionária, voltada para dentro e para fora, na comunhão e na missão… esse é o sentido e a tarefa da Igreja. O Documento de Aparecida assume essa concepção, quando afirma: “O mistério da Trindade é a fonte, o modelo e a meta do mistério da Igreja” (DAp 155).

Ao encontro dos afastados

O documento 100 da CNBB, “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, também pede que nossas paróquias e comunidades sejam missionárias. Para isso é preciso ter “um olhar menos julgador e mais acolhedor” com todos os que, por diversos motivos, tenham se afastado da Igreja. “Se forem bem acolhidos, poderão retornar ou ingressar na vida comunitária” (n. 318). Crer em Deus-Trindade é viver na comunhão e na missão!

Artigo publicado na edição de outubro/2015, nº 217, do Jornal da Arquidiocese

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