A psicologia ensina a compreender como funciona a comunicação entre os seres humanos. Todo gesto, toda palavra, atitude produz uma interação entre quem emite e quem recebe a comunicação. Se esta interação for positiva, vai gerar comunhão. Por outro lado, se a interação for negativa vai desfazer comunhão. Assim todos os nossos gestos e palavras ou constroem comunhão ou destroem comunhão. Não há ação neutra ou inócua.

Alguns exemplos ajudam a entender. Se eu manifesto um sorriso, a interação que se produz será positiva. Desta forma podemos dizer que o sorriso gera comunhão. O mesmo acontece se dou um elogio, se presto uma ajuda, se acolho a pessoa ou uma sugestão, se me sacrifico pelo bem de alguém, se demonstro sinceridade ou lealdade, se manifesto um gesto de amor. Por sua vez, uma atitude de mau humor, uma crítica, produz uma interação negativa e, por isso, destrói comunhão. Outras atitudes produzem o mesmo efeito, por exemplo, a agressividade, fofoca, ciúme, inveja, falsidade. Desta forma, é possível  avaliar cada uma das atitudes  do dia a dia e ver se geraram comunhão ou não.

Existem ações mais superficiais e outras que produzem marcas mais profundas no relacionamento entre as pessoas, tanto positivas quanto negativas. Aqui vale lembrar que todas as atitudes inspiradas no Evangelho geram comunhão de forma intensa e profunda. Por isso, a repetição dessas atitudes constrói a comunidade, a Igreja. É assim que a pedagogia cristã apresenta com muita segurança as virtudes cristãs como caminho de vida. Aprender a perdoar, rezar, amar, bem como a aquisição das atitudes que caracterizam a vida cristã produz comunhão e faz acontecer a comunidade.

As mesmas regras valem para o universo da família. Quando as atitudes que geram comunhão superam aquelas que destroem comunhão, aí  haverá  harmonia e se construirá o espírito de família.

Por: Dom Wilson Tadeu Jönck, Arcebispo de Florianópolis

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