Nos tempos atuais muitos jovens se questionam a respeito da instituição do casamento. Por que casar-se? Por que mostrar para os outros uma realidade tão íntima como é o amor dentre duas pessoas? Muitos jovens juntam os trapos, como se diz, e passam a morar juntos, sem nenhuma formalidade. Não se casam nem no religioso nem no civil. Temem que alguma exterioridade de seu amor venha prejudicar sua intimidade. Sobre essa questão trata o Papa Francisco na Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia.

O caráter social do casamento

A instituição matrimonial, a configuração visível e social ou a exteriorização da união conjugal traz muitas vantagens para o casal: canaliza a estabilidade do amor, promove um crescimento real e concreto de ambos, mostra a seriedade da identificação com o cônjuge, indica a superação do individualismo do adolescente e a maturidade do jovem adulto, expressa a firme opção da pertença mútua, evita fazer do matrimônio algo puramente privado ou uma mera associação espontânea, promove a solidez, a concretização e a profundidade da união conjugal, faz com que a série de obrigações brote de um amor decidido e generoso que não tem vergonha de mostrar-se ao mundo. A essência da instituição matrimonial, diz o Papa, “está radicada na própria natureza da pessoa humana e do seu caráter social” (AL, 131).

A decisão de casar-se

Juntar dois caminhos em um só, casando-se diante de Deus e na Igreja e também diante da sociedade, é algo sério. Não pode ser uma decisão precipitada, mas também não pode ser adiado indefinidamente. Precipitação indica irresponsabilidade. Adiamento indefinido indica medo do amor. Em qualquer caso está por trás o peso do egoísmo, pois “a recusa de assumir tal compromisso é egoísta, interesseira, mesquinha; não consegue reconhecer os direitos do outro e não chega jamais a apresentá-lo à sociedade como digno de ser amado incondicionalmente” (AL, 132).

A confiança do amor

É claro que, diz ainda o Papa, “comprometer-se de forma exclusiva e definitiva com outrem sempre encerra uma parcela de risco e de aposta ousada” (AL, 132). Mas, além da confiança no cônjuge e na comunidade dos familiares e amigos, há sempre a confiança em Deus, que é a fonte e o ápice do verdadeiro amor. Em Deus, o amor se manifesta e cresce continuamente.

Publicado na edição de abril/2017, nº 233, do Jornal da Arquidiocese.

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