Foto: Victor He/Unsplash

Esses tempos difíceis da pandemia vão passar. Resta saber o que vai sobrar. Será tudo igual como antes? A dor da crise experimentada coletivamente pode levar-nos à consciência de que somos todos uma só humanidade. O que afeta a uns, afeta a todos. No bem e no mal. Que bem maior podemos sonhar e fazer acontecer?

Espiritualidade encarnada
O primeiro ensinamento é a simplicidade do Evangelho, na sobriedade do uso do tempo e dos bens materiais, na singeleza das relações, no silêncio interior. A pandemia ajudou-nos a reencontrar o centro da espiritualidade cristã: o seguimento de Jesus, pela comunhão fraterna e pela inserção no mundo. Sobre isso, diz-nos o documento da CNBB sobre a vida e a missão dos leigos na Igreja e no mundo: “Não podemos querer um Cristo sem carne e sem cruz. Não se trata de fugir das realidades temporais para encontrar a Deus, mas de encontrá-lo ali, em seu trabalho perseverante e ativo, iluminados pela fé” (Doc. 105, n. 184). É um bom caminho para se trilhar nos novos tempos.

Ecologia integral
Diante de uma crise de múltiplas facetas (saúde, educação, moradia, alimentação, economia etc.), é preciso perceber que tudo está interligado, conforme o ensinamento da encíclica Laudato Sì sobre o cuidado com a casa comum. O papa não se refere só ao meio ambiente (ecologia natural). Mas, pensa globalmente a vida humana (ecologia humana), a vida social e a busca do bem comum (ecologia social), não esquecendo da paz no mundo (ecologia da paz). Ele pensa e age em termos de uma ecologia integral. Todos os cristãos, cada qual em sua vocação e em sua profissão, temos muito o que fazer para o cuidado com a vida de todos os seres vivos, sobretudo onde ela se encontra mais ameaçada.

Economia sustentável
Nesta pandemia, fizeram-se clamorosos o grito dos pobres e o grito da Terra. O respeito pela mãe Terra, pela escolha de uma economia sustentável que não agrida nem destrua a vida da natureza, transparece no cuidado com a vida dos pobres, pela partilha dos bens necessários à preservação e à promoção da dignidade de todos. Uma economia que não se entregue à idolatria do dinheiro, não se deixe guiar pela avidez do lucro, não se pense a partir da depredação do meio ambiente e da exclusão dos pobres. Mas que ponha no centro de tudo a vida, pelo máximo de proteção, promoção e defesa das vidas ameaçadas.

Pe. Vitor Galdino Feller

Artigo publicado na edição de junho de 2020 do Jornal da Arquidiocese, página 5.

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