Por Pe. Vitor Galdino Feller

Desde o início de seu pontificado, o papa Francisco vem insistindo na necessidade de as propostas e posições na Igreja serem debatidas, trabalhadas, discernidas e decididas em conjunto. De origem grega (sín+ódos, sínodo, caminho conjunto), o termo sinodalidade designa uma característica da Igreja que busca, em comum, a melhor maneira de anunciar e praticar o Evangelho. É um modo de fazer com que a essência da Igreja – povo de Deus em comunhão – se realize nas concretas situações da vida.

Sinodalidade e colegialidade episcopal

A sinodalidade vai além da colegialidade episcopal, a qual significa que os bispos devem decidir e agir colegialmente, em conferências regionais, nacionais ou continentais, em sínodos universais, sempre em comunhão com o papa. A sinodalidade envolve todas as categorias do povo de Deus (bispos, presbíteros, diáconos, religiosos/as e leigos/as) no estudo paciente e demorado de um determinado tema.

No pontificado de Francisco

O sínodo sobre a família, em suas duas etapas, foi preparado por um tempo de escuta das próprias famílias, dos agentes de pastoral familiar e do povo de Deus. Um extenso questionário foi enviado às instâncias eclesiais insistindo que fosse respondido pelo maior número possível de fiéis. No sínodo sobre os jovens, além do questionário a ser respondido pelas diversas expressões das juventudes, houve um envolvimento de jovens do mundo inteiro, num congresso em Roma. Além dos bispos, o sínodo sobre a Amazônia contou com a participação de diversos representantes dos povos amazônicos.

Caminho sinodal alemão

Incluindo todos os bispos alemães e representantes de ordens religiosas, movimentos leigos, dioceses e paróquias, universidades, consultores de outras igrejas e especialistas nos campos que estão sendo discutidos, o Caminho Sinodal Alemão reúne cerca de 230 pessoas para discutir importantes questões encaradas pela Igreja Católica na Alemanha. O grupo está focado em quatro áreas de estudo: o uso do poder e a separação de poderes na Igreja; relacionamentos e sexualidade; ministério sacerdotal, incluindo conversas sobre o celibato; o lugar das mulheres em ministérios e ofícios na Igreja.

Também a Igreja de nosso continente está envolvida num processo sinodal, a caminho da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, sobre a qual falaremos no próximo mês.

Artigo publicado na edição de julho do Jornal da Arquidiocese, pág. 5.

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