“Creio na Igreja uma, santa, católica e apostólica”, confessamos no Credo Niceno-Constantinopolitano, de 381. O Concílio Vaticano II (1962-1965): “Todos os seres humanos são chamados a pertencer ao novo Povo de Deus. Por isso, permanecendo uno e único, este povo deve estender-se a todo o mundo e por todos os tempos, para que se cumpra o desígnio da vontade de Deus que, no início, criou uma só natureza humana e, enfim, decretou reunir na unidade seus filhos, que estavam dispersos” (LG, 13).

CATOLICIDADE: DOM DE DEUS

Este caráter de universalidade, que distingue o Povo de Deus, é um dom do Senhor, graças ao qual a Igreja tende a recapitular em Cristo, sua Cabeça, na unidade do Espírito, a humanidade inteira, com tudo que ela tem de bom. A esta unidade católica do Povo de Deus, que prefigura e promove a paz universal, se orientam, embora de maneira diferente, todos os seres humanos: os católicos; todos os cristãos, crentes em Cristo, membros de qualquer igreja; os crentes em Deus, membros de qualquer outra religião; os que buscam viver e fazer o bem; as pessoas de boa vontade.

CATOLICIDADE EM CRISTO

A catolicidade é uma verdade de fé, que pertence à esfera do mistério da vontade universal salvífica de Deus, que em Cristo quer “que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). A Igreja é católica, universal, desde o primeiro instante de sua existência. Ela existe desde o momento da encarnação do Verbo, quando foi concebida no ventre de Maria a nova humanidade. Ela é católica desde então. Da humanidade de Jesus jorra o rio de vida divina destinado a inundar toda a raça humana.

CATOLICISMO SINODAL

Na atual caminhada sinodal somos interpelados a reconhecer e assumir a beleza da catolicidade. O novo povo de Deus é um povo católico: não está restrito a raça, língua, cultura, nação, território, mas está destinado a abraçar a todos. Pretende abraçar não somente todos os seres humanos, mas o ser humano inteiro, em tudo o que seu ser, histórico e cultural, pessoal e social, é capaz de realizar. A catolicidade abraça, portanto, também a cultura, a técnica, a arte, a ciência e o progresso. Diz o Vaticano II: “Nada há de verdadeiramente humano que não encontre eco no coração da Igreja” (GS, 1). Que o sínodo nos abra para a catolicidade da Igreja!

Artigo publicado na edição 291 do Jornal da Arquidiocese, em julho de 2022, na página 5.

Seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios

*