Uma das marcas mais significativas da Igreja de Cristo é a sua santidade. Apesar de nossos pecados, a Igreja é santa porque o Senhor a escolheu por sua esposa, deu a vida por ela, a purifica com o Batismo, a santifica pela Palavra, e a regou com o seu sangue redentor, para que ela seja sempre “toda bela, sem mancha nem ruga ou qualquer reparo, mas santa e sem defeito” (Ef 5,26-27).

Santa e em constante purificação

O Concílio Vaticano II (1962-1965), na constituição dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, ensina que “a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, (é) simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação” (LG 8c). Trata-se de uma santidade ontológica, que atinge o seu próprio ser, a sua intimidade. No fundo, na sua essência, a Igreja é a comunidade das três pessoas divinas, aberta ao acolhimento de todos os seguidores de Cristo e, até mesmo, de todos os seres humanos. A Igreja é santa porque Deus, que a sustenta, é santo.

A santidade dos fiéis

Essa santidade ontológica se torna dinâmica, processual, acontece na história, revela-se na vida das pessoas e comunidades, reflete-se nas obras de caridade, na opção pelos pobres, na entrega da vida até o martírio. Pois, “os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimento próprio, mas pela vontade e graça de Deus, são feitos, pelo Batismo da fé, verdadeiramente filhos e participantes da natureza divina e, por conseguinte, realmente santos” (LG 40). Trata-se de uma “nuvem de testemunhas” (Hb 12,1), “uma imensa multidão que ninguém consegue contar” (Ap 7,9).

O peso do pecado

A Igreja é santa, mas composta de pecadores. No seio da Igreja há também aqueles que negam a graça do Batismo, não perseveram na caridade, estão na Igreja com o corpo, mas não com o coração, como dizia Santo Agostinho. Por causa do batismo, continuam a ser membros do Corpo de Cristo; não são desprezados ou abandonados, mas tratados como o filho pródigo na espera de que se convertam. O pecado desses membros exerce influxo negativo na vida da Igreja, divide a comunidade, atrapalha a missão da evangelização, escandaliza os pequenos e os não crentes. Mas o pecado nunca vencerá. A graça vitoriosa de Cristo nunca será suplantada pelo mal, pois “onde se multiplicou o pecado, a graça transbordou” (Rm 5,20).

Pe. Vitor Galdino Feller

Artigo publicado na edição de fevereiro de 2020 do Jornal da Arquidiocese, página 5.

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