No mês de agosto celebramos a festa litúrgica da Transfiguração do Senhor. Essa celebração faz parte do mistério da salvação e rememora o momento em que Jesus Cristo, após fazer o anúncio da sua paixão, sobe ao monte com três de seus discípulos. A narração evangélica relata que, enquanto Jesus orava, é transfigurado, seu rosto adquire um aspecto brilhante e suas roupas resplandecem, ao mesmo tempo que Moisés e Elias se juntam à cena. Finalmente, de uma nuvem ressoa uma voz que solenemente apresenta Jesus: “Este é o meu Filho amado, ouvi-o!” (Cf. Mt 17,1-13; Mc 9,2-10; Lc 9,29-50).

Aqui há um paralelo com o Batismo de Jesus, quando também se ouve a mesma voz celeste autenticando a identidade e a filiação divina do nazareno. Todavia, no batismo a voz se dirige ao próprio Cristo, confirmando-o para iniciar o seu ministério. Agora, na transfiguração, direciona-se aos discípulos, como que confirmando a profissão de fé de Pedro e os preparando para o caminho de Jerusalém, que iria até o Monte Calvário, onde veriam o “filho amado” entregar por amor a sua vida.

A “alta montanha” onde Jesus é transfigurado evoca o Monte Sinai, lugar onde Moisés encontrou Deus e de onde desceu com o rosto iluminado (Ex 34,29). Aliás, a analogia ultrapassa a imagem da montanha e das faces brilhantes. Ambos os eventos acontecem no sétimo dia (Ex 24,16), há a presença de três companheiros (Ex 24,1), em ambos estava presente a nuvem luminosa e Deus se comunica por uma voz (Ex 24,16). Certamente a intenção é apresentar Jesus Cristo como o novo Moisés, eleito para a libertar o povo de Israel e toda humanidade da escravidão do pecado.
Moisés inclusive aparece na transfiguração juntamente com Elias. Ali os dois personificam a Lei e os Profetas que Jesus veio cumprir e atestam a sua missão messiânica. Entretanto, a presença de Moisés e Elias coloca Jesus não como um improviso na história humana, mas, ao contrário, como uma manifestação da solicitude de Deus com a humanidade, sempre se movimentando na história para a sua salvação.

Pedro, diante de tal teofania, quer ali ficar e armar tendas. Porém, a glorificação é transitória, é preciso descer e continuar o caminho. Jesus é o servo que primeiramente deveria sofrer e morrer antes de entrar definitivamente na glória pela ressurreição. Cristo quer que discípulos, ao mesmo tempo que o reconheçam como o Filho de Deus enviado, superem um messianismo glorioso e fácil. Sofrimento e glória são duas dimensões inseparáveis da ação salvadora do messias.

Ao celebrarmos a Festa da Transfiguração do Senhor seja reavivado o nosso encontro pessoal com Jesus Cristo, de modo que acolhamos a salvação por ele oferecida no mistério pascal e nos coloquemos numa atitude de “escuta atenta e orante de Cristo, o Filho amado do Pai, procurando momentos de oração que permitem o acolhimento dócil e jubiloso da Palavra de Deus” (Papa Francisco).

Pe. Alex Macedo de Liz Junior
Vigário paroquial da Paróquia Imaculada Conceição, em Angelina e Rancho Queimado

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