Foto: Fabíola Goulart/ArquiFloripa

O tempo do Advento e do Natal do Senhor nos ajuda a refletir sobre a virtude da espe­rança. Em tempos de pandemia, num mundo sombrio e obscuro, analisa do Papa Francisco na encíclica Fratelli Tutti. O peso do mal é tamanho que muitos não creem ser possível mudar a realidade. O próprio João Batista, precursor do Messias, pergunta num misto de dúvida, desânimo, obscuridade e, talvez, de esperança: “És tu, aquele que há de vir ou devemos esperar outro?” (Mt 11,3).

Partir dos pobres

É possível transformar a sociedade de modo tal que todos, a começar dos os pobres, venham a ter as condições mínimas para uma vida digna? Jesus anunciou o Reino de Deus a partir dos pobres, com sinais visíveis de transformação da realidade das pessoas e da sociedade. Na resposta à pergunta de João Batista, ele aponta para a sua prática: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Nova. E feliz de quem não se escandaliza a meu respeito” (Mt 11,4-6).

Vencer o comodismo

Infelizmente, hoje, o egoísmo e o como­dismo de muitos cristãos obscurecem e en­fraquecem o anúncio da libertação de Jesus, cujos sinais estão, também em nosso tempo, na dedicação aos pobres, aos marginalizados, às minorias, na promoção e defesa da vida, no empenho pelos direitos elementares à vida digna, no partilhar realmente e até o fim a sorte dos que não têm esperança. Se quiser­mos redescobrir a virtude da esperança e tra­zer mais esperança ao mundo, teremos que voltar à prática de Jesus de Nazaré e anunciar o Reino de Deus a partir das bases, dos locais onde esse Reino não está acontecendo.

Anunciar com esperança

No anúncio e na prática do Reino os cris­tãos não podem fraquejar, pois dispõem de muitos modos para comunicar a alegria que os anima, embora estejam também eles ex­postos às incompreensões e às contradições do mundo. Quem vive a esperança cristã, ex­perimenta a alegria que provém da firmeza permanente no caminho da cruz. No tempo do Advento e do Natal a Igreja continua a re­petir a seus filhos que a verdadeira libertação é um dom que o próprio Deus nos traz, vindo ele mesmo a nós. Se pusermos isso em práti­ca, esse será um Natal diferente.


Por Pe. Vitor Galdino Feller

Artigo publicado na edição de dezembro de 2020 do Jornal da Arquidiocese, página 5.

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