O amor conjugal não tem limites para seu crescimento. O limite é, na verdade, o amor infinito de Deus, que é precisamente um amor sem limites, sem condições, sem fronteiras. Deus ama sempre, ama mais, ama por primeiro, ama a todos, também aos inimigos, ama sem esperar nada em troca, ama até o fim. Assim deve ser o amor conjugal, um amor de amizade que se manifesta e cresce através de gestos e palavras. Que transborda em favor dos membros da família e da comunidade. “As palavras adequadas, ditas no momento certo, protegem e alimentam o amor dia após dia” (AL, 133).

Em constante crescimento

 

“Esta forma particular de amor, que é o matrimônio, é chamada a um amadurecimento constante” (AL, 134). Não tem um termo de chegada, porque, pela própria natureza e pela graça do sacramento, é uma participação no próprio amor de Deus, na caridade infinita que é o Espírito Santo. Toda expressão de amor humano e, mais ainda, do amor conjugal, é um sinal – mesmo que seja uma faísca – do fogo do amor divino. Uma faísca que se torna em fogo ardente! Um fogo que toma conta de tudo e todos! Crescer abundantemente no amor (1 Ts 3,12) e fazer sempre novos progressos no amor (1 Ts 4,10) é a exortação que São Paulo fazia aos primeiros cristãos.

Sob o impulso da graça

O amor conjugal não cresce à força de muito falar de fardos e obrigações e doutrinas. Ele cresce sob o impulso da graça. “E só podemos corresponder à graça divina com mais atos de amor, com atos de carinho mais frequentes, mais generosos, mais ternos, mais alegres” (AL, 134). Assim, à graça que vem de Deus corresponde o compromisso humano. Quanto mais graça, mais força para os compromissos e, consequentemente, mais graça. É o círculo virtuoso do amor cristão, expresso de modo sacramental no amor conjugal. O amor de Deus estimula o amor do casal a dar sempre mais de si.

Com desafios e imperfeições

 

Não existe um amor perfeito. É ilusão sonhar com casamentos e famílias sem crises, sem tribulações, sem conflitos. O verdadeiro amor conjugal cresce no meio das cruzes e crises, provações e privações. “É mais saudável aceitar com realismo os limites, os desafios e as imperfeições, e dar ouvidos ao apelo para crescer juntos, fazer amadurecer o amor e cultivar a solidez da união, aconteça o que acontecer” (AL, 135).

É para o seu Filho que ela nos conduz. Ela vai à nossa frente, como mãe e catequista e predecessora na fé, ensinando-nos a interpretar e praticar a Palavra, guiando-nos no seguimento de Jesus, dando-nos o exemplo de fidelidade ao Evangelho, sobretudo nos momentos difíceis da caminhada, até a entrega total de todo o nosso ser à causa do Reino de Deus.

Publicado na edição de maio/2017, nº 234, do Jornal da Arquidiocese.

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