Foto: Giovanna Dutra/ArquiFloripa

No último dia 30 de setembro, para comemorar 1600 da morte de São Jerônimo (345-420), o papa Francisco publicou a carta apostólica Scripturae Sacrae Affectus (O afeto pela Sagrada Escritura). É uma homenagem a este grande homem que traduziu a Bíblia para o latim. Sua tradução passou a ser chamada de Vulgata, posto que, sendo o latim a língua vulgar, facilitou o acesso à Palavra de Deus ao mundo europeu do início do século V e, a partir daí, ao mundo todo, até os dias de hoje.

Amor pela Palavra
O papa reconhece que o amor de Jerônimo pelas Escrituras “ramifica-se, como um rio em muitos canais, na sua obra de incansável estudioso, tradutor, exegeta, profundo conhecedor e apaixonado divulgador da Sagrada Escritura; na sua obra de intérprete primoroso dos textos bíblicos; de defensor ardente e por vezes impetuoso da verdade cristã; de eremita asceta e intransigente, bem como de sábia guia espiritual, na sua generosidade e ternura”. É um convite para sermos também nós amantes da Palavra, leitores assíduos e praticantes fiéis. Pois “aquele que ouve a Palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência” (Tg 1,23-24).

Escrita e Eucaristia
As lamentações de muitos pela impossibilidade de acesso à missa nesses tempos pandêmicos mostra o grande apreço que os fiéis têm à Eucaristia. Mas convém lembrar que o Cristo se faz presente também na Palavra. Diz São Jerônimo: “O Evangelho é o Corpo de Cristo. (…) Também a palavra da Escritura, o ensinamento de Deus, é verdadeiramente o corpo de Cristo e o seu sangue”. Ler, ouvir, meditar e praticar a Palavra é também um meio de comungar o corpo e o sangue de Cristo.

A Palavra e os jovens
Nesta carta apostólica, o papa recorda a importância da Bíblia na cultura, na arte e na literatura, na política, na economia e na educação etc. Depois, lança um desafio aos jovens: “Parti à procura da vossa herança. O cristianismo torna-vos herdeiros dum patrimônio cultural insuperável, do qual deveis tomar posse. Apaixonai-vos por esta história, que é vossa. Tende a ousadia de fixar o olhar naquele jovem inquieto que foi Jerónimo; ele, como a personagem da parábola de Jesus, vendeu tudo quanto possuía para comprar a pérola de grande valor”.

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