O Papa Francisco, na convocação do Ano Santo, expressa o desejo de que a Quaresma seja um tempo em que se viva intensamente a misericórdia de Deus. Abrir a porta ao Senhor que bate (Ap 3,20) pode representar a atitude que devemos tomar durante a caminhada quaresmal. A porta do coração só se abre pelo lado de dentro. Só a pessoa tem a chave. Se abrir a porta, o Senhor entra e toma refeição com ele. O Papa descreve algumas atitudes que representam o abrir a porta durante esse tempo.

A atitude fundamental é a conversão e o arrependimento. É graça de Deus tomar consciência de que tomamos decisões equivocadas e que devemos repensar o caminho. O pior que pode acontecer é perder a consciência de que pecamos e que precisamos mudar. Somos incentivados pela cultura atual a adotarmos como critério de decisão só nossa opinião. Proclamamos nossa autonomia e Deus é deixado de lado. Mas, Ele está à porta e bate.

Abrir a porta é buscar a reconciliação de vida pelo sacramento da reconciliação. Se há um coração arrependido, o Senhor entra e faz o banquete do perdão. Kierkegaard, pensador dinamarquês, deixou um pensamento iluminador: somos cristãos na medida em que temos consciência de sermos perdoados dos nossos pecados. O perdão é ação de Deus. Pelo perdão Deus recria o ser humano desfigurado.

São Pedro nos faz entender como funciona a autonomia e o perdão. Ele queria salvar Jesus, esqueceu-se de que, ele, devia ser salvo por Jesus. O Pedro cheio de si, traiu. O Pedro arrependido é restaurado na sua dignidade e foi capaz de dar a sua vida por Cristo.

Podemos nos perguntar o que mais fez Cristo sofrer? O sono dos amigos que rezaram com ele? O beijo traiçoeiro de Judas? Foram as bofetadas, os escárnios e espinhos? Os pregos, o abandono, a ingratidão? Ou saber que em algum canto, Pedro o negava?

Por: Dom Wilson Tadeu Jönck, Arcebispo de Florianópolis

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