Na edição passada do Jornal da Arquidiocese, iniciamos a leitura da 1a Carta aos Coríntios. Corinto era uma cidade grega grandiosa comercial, esportivo e arquitetonicamente, mas mal afamada moralmente. Paulo fundou ali uma comunidade cristã pelos idos de 51, quando permaneceu por um ano e meio. Em missão por Éfeso, pelos anos 57, recebeu notícias de problemas na comunidade cristã de Corinto, e decidiu escrever-lhes uma carta.

Essa carta apresenta o seguinte “índice”:

1) Preâmbulo e ação de graças (1,1-9);

2) Problema de facções-partidos na Igreja de Corinto (1,10–4,21)

3) O caso de incesto (5)

4) A apelação aos tribunais pagãos (6,1-11)

5) A fornicação (6,12-20)

6) Soluções para problemas diversos: Casamento e celibato (7)

7) As carnes oferecidas aos ídolos (8,1–10,33)

8) A boa ordem nas assembleias: o véu (11,1-16)

9) Ainda sobre as assembleias: a ceia do Senhor (11,17-33)

10) Os dons do Espírito ou os “carismas” (12–14)

11) A ressurreição dos mortos (15)

12) Epílogo: questões várias, notícias, saudações (16,1-24)

A preocupação de Paulo é pelo “corpo”, tanto da Igreja, “corpo eclesial”, quanto do fiel, “corpo do Senhor”. Ao corpo eclesial S. Paulo dedica boa parte da carta para afrontar os problemas de dilaceração (pontos 2, 4, 7, 8, 9, 10). De fato, o apóstolo compara a Igreja a um corpo: esse forma uma unidade, tendo diversos membros com funções diferentes e ao serviço do todo (12,12-30). Ao cristão, cujo corpo é “membro de Cristo” (6,15), “templo do Espírito Santo” (6,19), destinado à ressurreição, o apóstolo dedica também boa parte da carta para tratar de problemas relativos a incesto, fornicação, casamento, celibato, ressurreição, etc. (pontos 3, 5, 6, 11). O corpo da Igreja e o corpo do fiel são “carismáticos”, recebem o Espírito Santo para viverem a santidade, em harmonia, no respeito, e não podem ceder às paixões de poder, ambições, rivalidades, raivas, luxúria. Nós não pertencemos a nós mesmos, mas ao Senhor, pois fomos resgatados por Cristo por alto preço (6,19). “Glorificai, portanto, a Deus em vosso corpo” (6,20).

Por Pe. Gilson Meurer

Artigo publicado na edição de dezembro de 2018 do Jornal da Arquidiocese, página 08.

 

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