(Santuário desde 1905/Criada paróquia a 7 de março de 2009)

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Pároco e reitor: Pe. José Henrique Gazaniga
Vigários: Pe. Alvino Introvini Milani, Pe. Nélio Roberto Schwanke, Pe. Paulo Stippe Schmitt, Pe. Sérgio Giacomelli
Auxilia: Pe. Márcio Bolda da Silva

 

Comunidades

Padroeiro(a)                                                                                                      Localidade                                   Criação

1    Matriz: Nossa Senhora de Azambuja                                          Azambuja                                     2009

 2    São Sebastião                                                                                       Cedrinho                                       1939

3    Santo Antônio                                                                                       Rua Luiz Vanolli                         2009

 4    Ressurreição                                                                                        Parque da Saudade                      1972   

HISTORICO

Criada em 7 de março de 2009

Do livro “O Santuário de Azambuja”, edição do autor, Pe. Eder Claudio Celva.

Azambuja, inícios

O punhado de famílias italianas que assentaram suas casas na atual Azambuja, deixaram a pátria em 1875. Ao chegarem a Brusque – 1876 –  os imigrantes foram hospedados no Barracão dos Imigrantes, à Rua das Carreiras. Ah, se aquele importante albergue tivesse tido o seu cronista! Se tivesse deixado o livro de sua história, teria efetivado uma coleção de tomos importantes para nós. Ali foi a nova pátria, a primeira “Casa de Brusque”, a primeira igreja da sede…8 Depois que a imigração cessou, serviu à municipalidade para tudo, inclusive cadeia… Enquanto isso, em Azambuja os agrimensores conseguiram mensurar uns 20 lotes, vale adentro, em 1876. Demarcação provisória, estabelecimento incipiente, gente descontente. A localidade não era um eldorado: terras inférteis, pródigas em morros e pântanos.

Os lotes foram medidos definitivamente, em sua maioria, a partir de 1880, pelo agrimensor Adolpho E. Pinto Pacca, a quem muito provavelmente se deve o: Estrada do Conselheiro Azambuja.7 Presume-se pois, salvo desmentido de mais clara fonte, ter sido ele a nominar o local com um nome que acabou pegando.

Mas o nome parece não ter sido uma grande questão. O que de fato mexia com os brios eram dezenas e mais dezenas de famílias estrangeiras, vindas do exterior com mil interesses, parando aqui em Brusque a exigir colocação, terra e paz para poderem viver sua fé, criar sua família e trabalhar. Dentre muitas, é um grupo de famílias emigradas de Treviglio e Caravaggio, aldeias próximas a Bérgamo, perto de Milão que vai determinar o curso desta História. Passarão estas a ser nosso foco, pois de seus remanescentes irão depois nuclear a vida eclesial de fé na localidade, cujo símbolo é a capela.

Bons católicos que eram, por causa da sua religião duas coisas que decidiram ficaram registradas: 1 – permanecer juntos e unidos; 2 – terem um endereço comum, a igreja. No assentamento, nas realidades, nas vontades, desejos, chances antes desconhecidas, outros encaminhamentos também nasceriam; disso não havia previsão.

Construíram a primeira capelinha em 1885, substituída por outra em 1893; sempre dedicadas à Nossa Senhora do Caravaggio, título mariano que em Brusque foi rebatizado: Nossa Senhora de Azambuja.  A capela de 1893, em 1905, foi declarada Santuário Episcopal, em 1905. A primeira igreja em Santa Catarina a receber tal distinção!

 

Construção do santuário atual

No dia 30 de novembro de 1939, depois de tanto que se aprontou para o levantamento, a primeira enxadada, marcando o início da construção. Hoje, às 9 horas da manhã, foi feita a primeira escavação para o fundamento da nova igreja. O R. Pe. Inácio Orth abriu o primeiro buraco, onde devia ser colocada a pedra fundamental. No mesmo dia foram trazidas as primeiras pedras.126

Por que o Pe. Inácio Orth?127 Por dois motivos: um pessoal e outro institucional. Pe. Orth gostava de obras, tinha mesmo verve construtora. Institucionalmente, ocupava o cargo de vice-reitor do seminário.128 Como de direito, foi nele que o reitor encontrou apoiador primeiro.129

Do dia 2 de dezembro em diante, continuação dos trabalhos com escavações para o fundamento. Dia 3, primeiro domingo do Advento, do púlpito, o aviso: Quem desejar ser padrinho ou madrinha da pedra fundamental poderá dar o seu nome. Os nomes dos padrinhos e das madrinhas serão copiados e colocados na urna, debaixo da pedra fundamental. Também é bem-vindo todo aquele que quiser dar algum dia de trabalho para ajudar a escavar os fundamentos da nova casa de Deus e de Nossa Senhora.130

As escavações não pararam. Tal trabalho executado à força de pás e picaretas trazia as esperanças e os desânimos típicos de todo começo; tudo estava por se fazer. Dia 6, nova informação: Hoje os pedreiros colocaram as primeiras pedras para o fundamento do novo Santuário.131

Conforme agendamento, a cerimônia do lançamento da pedra fundamental realizou-se no dia 8 de dezembro de 1939. Foi uma grande solenidade, inclusive porque dom Joaquim veio para ordenar diáconos a João Philippi, Gregório Locks, Wilson Schmidt, Frederico Hobold e Augusto Zucco. Ainda mais, entregou a batina aos seminaristas que concluíam a formação nas etapas oferecidas em Azambuja, ingressando então no Seminário Maior em São Leopoldo (RS). Ainda se encerrava também o ano formativo daquele ano, trazendo mais gente e movimentação da centena de seminaristas que partiam para seus lares.

Com o arcebispo apareceram: Mons. Harry Bauer, vigário geral, Pe. Roberto Wirobeck, seu secretário, outros padres de Brusque, os de Azambuja, seminaristas, autoridades, fiéis. A grande acorrência de fiéis dava motivos. Após a missa, aí sim, todos se reuniram defronte da porta principal para a bênção da pedra fundamental da nova construção, cuja movimentação já era sentida. Pensando na arrecadação de um pouco de dinheiro, convidaram-se paraninfos para apadrinhamento, com as batidas de martelo sobre a pedra fundamental. Lançou-se um cartão postal com o desenho da fachada; era uma lembrancinha para os paraninfos da ocasião, eventuais colaboradores – uma forma de divulgação; cada um já podia tê-lo consigo, para ver e mostrar –, gerando comprometimento, orgulho da sua nova igreja.132 Foi um dia memorável!

A solenidade da pedra fundamental era de dar visibilidade ao que se pretendia, mas veio e passou. Era ainda preciso superar controvérsias, desencontros e opiniões que só fragmentavam o projeto a ser executado. Ideias, planos, palpites, contrariedades, falta de recursos, tantos envolvidos, continuavam a vir à baila.

Era comum que capelas optassem por fundamentos com pedras brutas, naturais, recolhidas ao léu. Tal empresa era mais fácil para igrejas menores. Aqui parece que não compensaria. Assim, o Pe. Peters assinou um contrato que previa a compra de 30 mil pedras de granito cinza. A Frederico Casagrande coube boa parte da demanda dos cortes vindos para a igreja de Azambuja.133

Vinham os cortadores de Nova Trento, principalmente da localidade Tirol, distrito Claraíba, até o Cedro Alto, Brusque, onde ficavam a semana inteira na pedreira. Trabalhar com pedras sempre exigiu muita destreza, força e resistência. As pedras eram cortadas na ponteira e marreta, um serviço estafante. E foi a encomenda de Azambuja a última de Frederico. Contou-me, em entrevista, sua octogenária filha, Emerentina: Depois de 1940, meu pai ia cortar pedras doente, mas queria a todo custo cumprir o compromisso, até porque precisava do dinheiro para sustentar nossa família. Morávamos na última casa da localidade Tirol no Distrito da Claraíba, já na subida do morro que dá acesso ao bairro Vígolo. Lembro-me bem do dia em que o pai chegou em casa exausto e alegre, afirmando: – terminei meu compromisso, das pedras para a igreja, agora posso morrer em paz. Acamou-se e dentro de alguns meses, no dia 28 de agosto de 1941, com apenas 37 anos de idade, faleceu.134 Aqui apenas um exemplo de tantas pessoas anônimas que ofereceram um pouco de suas vidas, seus trabalhos para a construção.

Também nas construções os santuários se revestem de tipicidades. Eles não têm um território específico, ou seja, pouca comunidade adjacente, tendo peregrinos ou fiéis frequentadores que vêm, que vão, mas não são daqui. Assim, não se tem notícia de que o santuário fora edificado em mutirão, por escalação de um membro por família, meio tão típico na edificação das igrejas da região. Se o foi, é casualidade. O clima de Brusque já era urbano e acima de tudo fabril, então era preciso pagar também tarefas secundárias. O pessoal da casa em força-tarefa, por várias vezes.135 Durante os horários dedicados aos trabalhos, iam carregar tijolos e tirar areia das sarjetas da rua Azambuja, pois nesses dias deu um aguaceiro,136 revela um seminarista de antanho.

O chão, já dissemos, passava longe do ideal para a igreja pretendida. Em fevereiro de 1940 continuavam as escavações e o assentamento do fundamento, para que, no dia 10, começassem a trabalhar o contratante do alicerce, Helmuth Kress e sua equipe. O construtor do fundamento apareceu com 4 pedreiros e 3 serventes. Os alunos ajudam a abrir o fundamento.137 Em abril de 1940, sucessivamente terminou-se todo o grande alicerçamento frontal. A construção repousa sobre a densa cantaria.138

O cônsul Carlos Renaux, figura notória de Brusque, gostava de Azambuja. Aqui já tinha uma obra patrocinada sob seus auspícios, o novo hospital. Pessoalmente ele passava por situação delicada: viúvo pela terceira vez. Compungido pelo falecimento de sua última esposa, Maria Luiza Auguste Linaerts, no dia 27 de junho de 1940 lembraria um ano de sua ausência. Sufragou-a na caridade.139 Escolheu a igreja de Azambuja como beneficiária. Convidado, a 6 de junho de 1940, Pe. Bernardo foi visitá-lo. Generoso, ordenou a abertura de uma carta de crédito ao padre. Poder-se-iam comprar materiais para a obra no valor de 50 contos de réis nas Lojas Renaux. Sufrágio espiritual, caritativo, magnânimo! É mesmo a memória o cérebro da caridade. Era uma soma elevada, diante da falta de dinheiro do momento.

Nesse mesmo dia, 6 de junho, Pe. Bernardo escreveu ao arcebispo, contando da doação, e outras informações inerentes. A construção do santuário vai sempre indo adiante. O material de construção temos quase todo reunido. A obra se levanta um tanto devagar por falta de bons pedreiros. A festa de maio, neste ano, não foi tão concorrida como no ano passado. Fizemos um rendimento de quase 6 contos.140

O cônsul nutria amizade por dom Joaquim, como um incondicional admirador e servo.141 Dom Joaquim correspondia. Em 27 de julho, escreveu a Renaux – conforme sugestão do reitor – para agradecer-lhe.142 Renaux, em 3 de agosto, respondeu, expressando que o mecenato tinha intenção143 Muito desejo que a memória das minhas finadas esposas se perpetuasse dentro do novo templo por uma placa. Johanna Maria von Schoenenbeck e Marie Luise Auguste Lienaerts.144 O casamento com Johanna havia sido celebrado em 1913, no santuário de Azambuja145. Eis mais um motivo para a iniciativa do óbulo: questões de afeto.

A construção não para. Carroçadas de tijolos. Parece que nunca bastam! Colocados pela meninada do seminário em locais que visavam à facilidade de assentamento posterior. Muitos adquiridos, outros doados e ainda os vindos da demolição paulatina do velho hospício.146 Lembro que nosso professor de latim era o Pe. Cordioli, e, como ficou afônico, quando não havia substituto para dar aula, então nós íamos carregar tijolos para a construção.147

A construção das paredes sobre os alicerces começaram em 20 de julho de 1940, seguindo ininterruptamente até dezembro. José Bolognini foi o contratado principal.148 Foram seis meses de trabalho intenso, pois a meta dessa etapa já previa a montagem do telhado. Quase foi possível. No final de dezembro faltou material, e os trabalhos seguiram amenizados.149

Outro problema era a falta de mão de obra mais especializada. Foi uma das primeiras obras arquitetônicas com tais dimensões construídas em Brusque. Os trabalhadores eram colonos, apesar das tantas dificuldades que tal empresa representava, edificaram com solidez e capricho; claro, demorando mais e errando para aprender. Os desacertos devem ter sido vários. Mons. Valentim relatou um:150 quando da levantação das pilastras, elas começaram a ceder. E agora? Foi preciso demoli-las e erguê-las novamente, usando outras técnicas. Os arcos existentes sobre as colunas internas nas laterais foram todos feitos primeiramente em caixaria. Medições sem fim, para um trabalho minucioso…

O leitor deve saber que toda a construção sofreu por carência de recursos do início ao fim. Às vezes iniciava-se um trabalho, e depois de duas horas era preciso parar… até por falta de pregos! Pe. Bernardo mandava alguém à cidade comprar mais uns quilos… Os pregos para uma obra assim deviam ser adquiridos em caixas lacradas, e não aos punhadinhos… Assim não dá! Isso irrita os trabalhadores…

Em certos dias chegavam as equipes e não encontravam material para o trabalho; aí vinha saraivada de críticas. Coitado do reitor, tinha que ouvir a cantilena por não ter máquina de fazer dinheiro… Cada centavo precisava ser contado, para quitação de dívidas. Para a obra não parar, pendurava-se muita coisa no “prego”. Depois, aos poucos, com generosidade, paciência, parcimônia, economia, pagava-se.

Os orçamentos prévios do arquiteto eram muito irreais; tal verdade aparecia depois; os valores extrapolavam qualquer planejamento de obtenção de recursos previsto pelos párocos e comissão. Também verdade seja dita, executar um projeto de Simão Gramlich era escolher o que havia de melhor! Inaugurara-se um novo conceito de arquitetura na região. Lembre-se que antes de Gramlich, o conceito era outro. As plantas eram geralmente encabeçadas por algum autodidata de plantão. Vário deles eram padres. Um deles fez dezenas de projetos para igrejas, o padre Vicente Schmitz (SCJ), inclusive é dele o projeto do santuário de Nossa Senhora de Angelina (SC), também de nossa arquidiocese, como o de Azambuja.

No dia 20 de janeiro de 1941 entrou em ação o carpinteiro Vicente Schönning151 e equipe de ajudantes. Trabalha-se primeiramente preparando todo o madeiramento: cortes, medidas, encaixes, perfurações, pregagens, emparafusamentos, montagens, aquisições… Enquanto isso, as paredes continuavam subindo. Há agora um apogeu no número de trabalhadores; era o vivo desejo para deixar a igreja debaixo do telhado. Por enquanto, no presbitério e sacristias. Nas laterais internas da abside – presbitério – encontram-se duas sacristias e, acima de ambas, duas capelas com seus altares de madeira.152 Estão abertas para o corpo da igreja, possibilitando visão panorâmica.153 Estas três partes foram cobertas primeiramente.

O santuário antigo agora já engolido pela construção… Olhar para cima fazia os olhos e o coração encherem de exultação. Padre Antônio Waterkemper tirou algumas fotografias dessa etapa. São únicas, mostram o madeiramento do corpo da igreja sendo construído e sobre as vigas da cumeeira, verdejantes e delgados palmitos dando anúncios de sucesso e alegria.

Entrando e saindo para a missa, todo o entorno da igreja é um comunicado vivo para abrir as mãos e colaborar. Concomitantemente, o vetusto santuário receberia aos poucos as sentenças condenatórias. As partes que estorvavam eram derrubadas. Em 20 de junho de 1941: Por motivo de estar em desmoronamento o velho Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio, resolveu-se que o Santíssimo Sacramento seria todos os dias transportado para a capelinha do Seminário.154 Entre os dias 23 e 26 de junho de 1941 demoliu-se a sacristia.155 Com a mesma finalidade demoliu-se a ábside – presbitério – em 30 de julho156. Dia livre em benefício do novo santuário: Destruímos o presbitério da velha igreja: aí fomos bons “comunistas”.157 Dia 27 de julho do ano de 1941: O Revmo. Cônego Reitor propôs que se desse aos alunos um dia feriado para ajudarem a demolir o velho Santuário e fazer a limpeza necessária, a fim de se poder celebrar a festa na parte nova do Novo Santuário.158

No dia 2 de agosto preparam-se mais adaptações – e limpeza – para continuidade das missas; no dia seguinte era domingo! Demolia-se uma parte, adaptava-se outra, sem com isso fechar o santuário. Prepara-se o presbitério do novo santuário para servir ao culto. Constrói-se junto à parede um nicho para a padroeira.159

Celebrou-se pela primeira vez na igreja nova a festa de 15 de agosto de 1941. A quantas andava a construção? O corpo da igreja continuava um grande canteiro de obra: sem piso, sem telhas, tendo-se que saltar estacas, desviando de andaimes para se poder passar; coisas pra todo lado. O celebrante foi Mons. Harry Bauer. Dom Joaquim, o pregador e oficiante da bênção do altar.160 Após as funções, foi o senhor Arcebispo muito aplaudido na porta da igreja nova, por meio de discursos… etc.161

Depois da festa, a retomada imediata dos trabalhos. Continuação da montagem do telhado. Telhas chegando e subindo… Para pagar as despesas que sempre aumentavam, além das festas de praxe (maio e agosto), cujos proventos se canalizavam para a construção, era preciso ir além e organizar outras promoções para angariar recursos. Uma destas ficou anotada. Realizou-se em 8 de dezembro de 1941 uma festa em benefício da construção do novo santuário. A festa será precedida por um tríduo com pregação e bênção com o Santíssimo Sacramento.162

No começo de 1942 era preciso uma trégua pra tomar fôlego. Fizeram-se com o pessoal da casa trabalhos secundários. Na falta de recursos, tudo precisou ser aproveitado, até velhos pregos eram endireitados para desgosto dos carpinteiros… Muitas pendências a serem honradas.

Carlos Renaux, em 2 de abril de 1942, ofereceu novo donativo.163 Imediatamente, depois do recebimento desse donativo, foi recomeçada a construção. Foi levantada a fachada e rebocado o interior.164 Em dezembro de 1942, nova doação, de 50 mil cruzeiros. Devia sentir a obra como sua, pois afirma: para a construção do nosso magnífico Templo.165 Aqui mais um particular: tal doação fazia memória de sua primeira esposa, mãe de seus 11 filhos: Selma Wagner Renaux. Pediu então que lhe fosse dedicada também uma placa comemorativa. Em 8 de maio, e em 17 de agosto 1944, outras duas doações de 50 mil cruzeiros, sempre junto às lojas.

Renaux acompanhava a aplicação da doação. Não vemos nenhum inconveniente em o Amigo mandar pequenas notas de despesas feitas com trabalhadores e material às lojas para o devido pagamento, uma vez que venham com o visto de V.S.166 As cinco doações do industrial ficaram anotadas, mas há o muito que não foi anotado, o “óbulo da viúva”, provindo de tantos bolsos anônimos, moedinhas que de muitas maneiras significaram o prosseguimento das obras e a fé de um povo colaborativo.

Durante o ano de 1943, ainda há trabalhos árduos pela frente. Constrói-se o teto de estuque. Uma técnica antiga: Montar uma estrutura de madeira em forma de meia lua, revestida de ripas palmito – Euterpe edulis –, cujo caule estava em puro cerne, deixando entre elas um pequeno espaço para o entrelaçamento do reboco composto de barro, cal, capim seco…167 Início do levantamento superior das torres. Do nível da rua até as cruzes que as encimam, temos 40 metros de altura.168 Aqui um particular gramlichiano: o comprimento da igreja (40 metros) devia ser o mesmo da altura das torres. A largura, um pouco menos da metade (16 metros). Visava tal simetria a boa acústica.

Entramos em 1944. Conclusão das torres. Trabalhos seguem num ritmo diferente, até porque os acabamentos de um templo precisam de reflexão, bom senso e combinação para ficarem harmônicos com o conjunto da obra. Encomendam-se na Fábrica de Artefatos de Cimento Werner Garni de Blumenau169 os ladrilhos hidráulicos, para o corredor central e laterais. É do mesmo tempo o contrato de pintura interna, trabalho executado por Francisco José Fayterna. A pintura foi seguindo também pelo ano de 1945, quando também se revestiu todo o piso com os ladrilhos, e, no lugar dos bancos, tacos de madeira durável. No dia 16 de maio de 1946, Frei Teodósio Krause (OFM), do Convento de Blumenau, realizou a ereção canônica dos quadros da Via-Sacra.170

O Santuário foi dedicado por dom Joaquim em 26 de maio de 1956.