Tradicionalmente, no mês de outubro a Igreja recorda o seu compromisso missionário. As “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil” também reforçam que o espírito sinodal que inspira as atuais diretrizes tem no centro a missão. No número 68 afirma que a Igreja é movida pelo Espírito Santo para prolongar no tempo a missão do Filho e tornar presente o Amor do Pai em todos os povos e culturas. Em 1975, a Evangelii Nuntiandi já lembrava que a Igreja existe para evangelizar.
Em 2009 a CNBB publicava em “Subsídios Doutrinais” n. 4, caderno que tratava do anúncio do querigma. O mesmo estudo define o missionário como um mistagogo, alguém que sabe introduzir os outros na fé cristã, nos mistérios de Cristo e da Igreja. O ponto de partida é o fascínio pela pessoa de Cristo e pela Boa Nova do Reino como resposta aos mais profundos anseios humanos. Leva os discípulos a abraçarem, com amor e paixão, as exigências éticas do cristianismo.
A resposta ao chamado de Cristo é o que chamamos de conversão. Se expressa no arrependimento dos pecados, na aceitação do Batismo e ingresso na Igreja, comunidade de discípulos de Cristo, encarregada do anúncio e testemunho do Evangelho. O ponto inicial é um encontro com Cristo que suscita uma profunda experiência de fé e confere ao discípulo uma compreensão da verdade e do Amor de Deus. O encontro com o ressuscitado reorienta a vida do discípulo, que se dispõe a percorrer o mesmo caminho do Mestre. A inserção nesta realidade dá ao discípulo a condição de ser missionário.
O Ressuscitado dá o dom por excelência, o Espírito Santo. “Fazei discípulos todos os povos” (Mt 28, 19). Ao chamar os discípulos para o seguir, lhes deu também uma missão: “Anunciai o Evangelho a todas as nações” (Mc 16, 15). O envio para a missão é sustentado pelo Espírito Santo que torna o missionário participante da missão de Cristo. Jesus se apresenta como aquele que serve. A vida cristã educa para uma nova dinâmica nas relações, superando a busca de poder e domínio sobre os outros. Cumprir a missão não é tarefa opcional, é parte integrante da identidade do cristão.
Tudo aquilo que podemos imaginar na vida de um missionário, vamos encontrar na vida de Maria, a mãe de Jesus. Primeiro, ao aceitar o anúncio do anjo, coloca-se nas mãos de Deus. A sua vida recebe um novo dinamismo; todo ação aponta para Jesus no seu agir e salvação. A visita a Isabel é um gesto missionário. É modelo para quem parte em missão, leva a Cristo no seu ventre. A presença de Cristo, no seu seio produz uma grande alegria João Batista. É o anúncio de quem vivia profundamente unida a Cristo. Nas bodas de Caná, diz: “fazei tudo o que vos disser”. Ensina aos missionários uma atitude fundamental, colocar-se à disposição para realizar o que Cristo deseja. Junto a cruz, ela está de pé. É a atitude do missionário que é convidado á fixar o olhar na cruz, e não recuar diante das adversidades. No cenáculo encontramos Maria junto aos missionários. É a posição que ela ocupa ao lado de toda comunidade missionária. Ela é a grande formadora de missionários.
