Colossenses (parte 2): Cristo, imagem do Deus invisível

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Colossenses (parte 2): Cristo, imagem do Deus invisível
Foto: Canção Nova

Após um olhar sobre o contexto histórico, nessa edição analisamos o conteúdo da carta aos Colossenses. Após saudar os “santos que estão em Colossas”, S. Paulo rende graças a Deus pelo exemplo de fé, esperança e amor (1,4) que eles manifestam na força do Evangelho que receberam, e sobretudo, por terem sido “arrancados do poder das trevas e transportados para o Reino do Filho amado, no qual temos a redenção” (1,13). Com isso, o apóstolo faz a ponte para a parte dogmática da carta (1,15–3,4), dedicada justamente a enfatizar a função preeminente de Cristo na obra da redenção. Com efeito, alguns membros da comunidade exageravam no poder sobre a vida humana de práticas ascéticas, de cultos judaicos, de forças cósmicas, de astros, de anjos, como se essas coisas que governassem tudo (2,16-23). Paulo, porém, começando por um belo “hino cristológico” (1,15-20), afirma que Cristo é “imagem (gr. eikon = ícone) do Deus invisível”, ou seja, a manifestação visível de Deus. Ele é o “primogênito de toda criatura” (1,15), isto é, tal como os filhos primogênitos na família israelita, ele tem a primazia da honra e toda a autoridade, pois “nele, por ele e para ele” tudo, criaturas materiais e espirituais, foi criado. “Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo” (1,18), fazendo da Igreja, pois, extensão de Cristo, e também ela um “ícone” seu. Com isso, S. Paulo reafirma Cristo como a pedra angular da redenção, do qual todos os outros elementos recebem sustentação e graça. Não existe força no universo que possa redimir sem Jesus Cristo. Esse hino, de fato, é lido na solenidade de “Jesus Cristo, Rei do Universo”.

É através da obra redentora de Cristo que somos salvos, e a Igreja e os apóstolos participam dessa obra. Afirma o apóstolo: “completo o que falta às tribulações de Cristo em minha carne pelo seu corpo, que é a Igreja” (1,24) (tradução da “Bíblia de Jerusalém”, 2002). Certamente não se deve pensar que as tribulações de Cristo foram incompletas, mas que falta a Paulo completa-las em sua carne, por amor da Igreja. Ou seja, o sofrimento que o apóstolo passa em sua faina evangelizadora, ele retém como participação no sofrimento de Cristo.

A outra parte da carta, mais exortativa (3,5–4,6), o autor admoesta para que vivamos, de fato, a vida nova com a qual Cristo nos revestiu, marcada por sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-nos e perdoando-nos mutuamente. Em casa, marido e mulher, pais e filhos, são chamados ao bem-querer e respeito mútuos (3,18-21). Os servos obedeçam aos seus senhores, e os senhores dêem aos servos o justo e o equitativo, sabendo que temos um Senhor nos céus (4,1). O autor nos convida a perseverar na oração, a vigiar em ação de graças, a usar de palavra sábia (4,2-6). Enfim, a epístola se encerra com notícias e saudações finais (4,7-18).

bíbliaColossensesPe. Gilson Meurer

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