Agosto é vivido pela Igreja no Brasil como o Mês Vocacional. Nas comunidades, a pergunta sobre o chamado de Deus ganha voz mais alta, mas ela nunca deixou de ecoar: desde o batismo, cada um de nós carrega uma vocação a descobrir e uma missão a cumprir.
O dízimo, quando compreendido em sua verdadeira identidade, não se reduz a uma ajuda financeira. Como temos entendido, é gesto de comunhão, participação concreta na missão que a Igreja recebeu de Cristo (cf. Documento 106 da CNBB). E dentro dessa missão, existe uma dimensão que muitas vezes permanece silenciosa: sustentar as vocações que nascem em nosso meio.
Formar um seminarista, acompanhar um discernimento vocacional, cuidar da vida de quem já se consagrou ao serviço da Igreja, formar novos catequistas, etc.: tudo isso exige estrutura, tempo e recursos. São João Paulo II lembrava, na Pastores Dabo Vobis, que toda a comunidade cristã é corresponsável pelo florescimento das vocações, chamada a sentir como sua a tarefa de cuidar de quem se prepara para servir.
Por isso, quando um dizimista sustenta sua paróquia, ele também sustenta, sem talvez perceber, o seminário onde um jovem aprende a rezar antes de aprender a presidir, a casa onde um padre já idoso encontra acolhida depois de anos de entrega, a formação continuada que renova o coração de quem já foi ordenado, forma leigos e leigas para a missão.
O dízimo, assim, deixa de ser cálculo e se torna a evangelização em movimento. Não é preço que se paga por um serviço religioso, mas resposta de quem reconhece que recebeu a fé de graça e deseja que outros também a recebam, por meio de quem foi chamado a servir.
Neste Mês Vocacional, que nossa comunidade renove esse gesto com alegria. Que o dízimo seja, também, oração feita partilha: sinal concreto de que as vocações de que a Igreja precisa não nascem apenas do chamado de Deus, mas também do cuidado de um povo que se sabe corresponsável por elas.
