Artigo: “Quaresma”, por Pe. Jonathan Speck Thiesen Jacques

>
>
Artigo: “Quaresma”, por Pe. Jonathan Speck Thiesen Jacques

Imagem: Freepik

Todos os anos, no período da Quaresma, a Igreja nos convida a percorrer um caminho de preparação espiritual para a Páscoa, especialmente por meio da prática da oração, do jejum e da caridade.

Em certo sentido, a Quaresma é como um “Retiro Espiritual” anual na vida do cristão. Neste tempo santo de 40 dias somos chamados à renovação da vida espiritual, despendendo mais tempo na oração e participando com mais empenho da vida litúrgica da Igreja.

O teólogo católico Romano Guardini, no livro Introdução à vida de oração, fala sobre a importância do recolhimento para a vida cristã. Recolher-se, isto é, assossegar-se, buscar momentos de silêncio e de oração – longe de telas e de distrações –, é um passo fundamental para uma vida de oração e de comunhão com Deus. De igual modo, poderíamos dizer que esta atitude de recolhimento é algo essencial para nosso “retiro espiritual quaresmal”.

O recolhimento do tempo da Quaresma quer nos ajudar a deixar de lado as coisas que nos dispersam e a nos centrar no Mistério para o qual todo o caminho quaresmal se orienta: a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Na Cruz de Cristo encontramos o sentido de toda penitência quaresmal; na sua Ressurreição, a fonte da graça que nos renova. Por isso, a ascese quaresmal não significa apenas uma “disciplina” para o corpo, mas sim uma forma privilegiada de nos unirmos a Cristo e ao seu sacrifício redentor.

Na sua Mensagem para a Quaresma de 2026 o Papa Leão XIV faz uma interessante relação entre o jejum e a escuta, convidando-nos a uma forma muito concreta de abstinência – a abstinência das palavras. O Santo Padre nos pede que renunciemos a uma linguagem ofensiva e destrutiva, e que pratiquemos a gentileza e a ponderação em nossas conversações, buscando uma comunicação mais cheia de esperança e de paz. Além disso, em nossa prática quaresmal, no jejum e na penitência que fazemos, escreve o Papa, é preciso sempre “enraizar-se na comunhão com o Senhor”. De certa forma, a Mensagem do Santo Padre quer nos recordar que as práticas da Quaresma devem sempre nos unir a Cristo, que nos diz: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5).

Que em meio aos afazeres e ocupações de nosso cotidiano possamos nos dedicar para viver a Quaresma como um “retiro espiritual”, um tempo privilegiado de recolhimento e de oração, de jejum e de escuta, de união com Cristo e de contemplação do Mistério da sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PODCAST: UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA