Antes da ascensão ao céu, Jesus marcou um encontro com os discípulos na Galileia. Logo depois da ressurreição já havia avisado aos apóstolos que os esperaria na Galileia, em um monte que Ele mesmo indicaria.

A Galileia representa toda realidade que envolve a convivência humana: as guerras, os desentendimentos, a falta de fé, o ateísmo, as depravações, as confusões familiares, e também a vivência de fé, o desejo de conhecer Jesus. Os discípulos, e nós também, são enviados a evangelizar essa realidade de todos os tempos chamada Galileia. É uma missão gigantesca, acima das forças humanas. Todavia, Jesus dá dois sinais de esperança. Garante que já está lá, Ele nos espera na Galileia. E dá a garantia de que estará conosco todos os dias.

O Monte indicado é o lugar do encontro com Jesus na Galileia. Lá, os discípulos prestam o culto de adoração. No Monte, Jesus pronuncia o envio missionário. A partir do Monte, os discípulos se dirigem a anunciar o Evangelho na Galileia. Para o missionário, é fundamental que aprenda a voltar ao Monte para o encontro com Jesus. É a garantia da fidelidade. Afinal, quem transforma a realidade é Cristo e não a reflexão ou intenção do missionário. Para que o missionário possa ser fiel ao seu mandato, deve se habituar a voltar muitas vezes ao monte para o encontro com Cristo.
Diz o Evangelho que “alguns ainda duvidavam”. A fé é a superação da dúvida. A fé é a ferramenta principal do missionário. Uma fé convicta é fé que convence. Mas o encontro com Cristo acontece como no caso de Pedro que caminha sobre as águas. Sua falta de fé fazia com que afundasse. A frequência ao Monte que Cristo indicou faz encontrar a mão de Cristo que ampara. Ali a pouca fé se torna uma grande fé. Os que estavam sobre o Monte foram investidos do mesmo poder do Mestre. A missão de Cristo não foi cumprida totalmente em todo ser humano. Ele precisa de missionários que se dediquem a fazer o que Ele fez – em palavras e obras. Ele garante que estará sempre presente para que se cumpra a missão que o Pai lhe confiou.

O Monte é lugar onde Deus se revela e o discípulo aprende a acolher a sua vontade. O missionário precisa ter um tempo e um lugar para estar com Jesus, para aprender as suas palavras e seus gestos. Assim entendemos porque na vida do cristão é tão importante o momento de oração, a celebração da Eucaristia, a escuta da Palavra de Deus, os atos de caridade, as obras de misericórdia. O tempo de pandemia é privilegiado para intensificar a visita ao Monte em encontros familiares. Desta forma, se aprende a identificar o que nos aproxima ou nos afasta de Deus.

Artigo publicado na edição de fevereiro de 2020 do Jornal da Arquidiocese, página 2.

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