Na abertura dos principais eventos da vida cristã costuma-se rezar a oração “Vinde, Espírito Santo”. Este tradicional hino evoca a ação de Deus nas dimensões fundamentais do ser humano: mente, coração e corpo.
Para a mente pede-se iluminação, que inspire pensamentos que clareiem o caminho. Em seguida, suplica-se que visite a alma e encha o coração do ser humano com seus dons celestiais para que possa amar. Trata-se da graça de que todos nós participamos. Para o corpo pede-se força e proteção.

Não basta que o ser humano seja dotado de cérebro, coração e corpo, estes necessitam da força divina. A mente precisa ser iluminada para que o pensamento corresponda à verdade; o coração deve ser enriquecido pelo amor para que exerça a sua função de animar a vida humana; o Espírito Santo é também força que mantém o corpo, suporta as doenças e o cura.

O Espírito Santo, do caos da vida humana, faz emergir o cosmo. Retrata a beleza e a perfeição. Ao longo da história constata-se que a tradição oriental fixa-se mais na consideração do Espírito Santo como luz das mentes. A tradição ocidental focaliza especialmente a ação do Espírito Santo como amor dos corações. O século XX colocou o acento na acolhida do Espírito Santo como dom da cura e sua influência sobre o corpo.

A nossa época destaca a importância do coletivo. O ser humano não é puro indivíduo. Viver significa também conviver. Isto mostra que o ser humano é afetado também pelas circunstâncias que envolvem o seu viver. A vida se transforma em uma luta e os inimigos são tanto externos como internos. São os perigos, as tentações, os desafios. Vencida a batalha, obtém-se a paz pela presença do Espírito Santo.

Dos elementos presentes na oração ao Espírito Santo, ressaltam-se as três dimensões que marcaram profundamente a mentalidade da sociedade ocidental: inteligência, vontade e afeto. São desenvolvidas e valorizadas pela presença do. Espírito Santo. Da inteligência brota o pensamento, a ciência, o conhecimento. Da vontade provém a liberdade das opções e o amor. Nos sentimentos se localiza a afetividade que expressam a alegria do viver. Não podemos prescindir de nenhuma destas dimensões: mente, coração e corpo.

Artigo publicado na edição de julho do Jornal da Arquidiocese, página 2.

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