O documento 105 da CNBB, sobre o ser e a ação dos leigos na Igreja e no mundo, insiste: “O primeiro campo e âmbito da missão do cristão leigo é o mundo” (n. 63). Faz eco à Lumen Gentium que diz: “O caráter secular caracteriza os leigos” (LG, n. 31). O Papa Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi, encoraja: “A primeira e imediata tarefa dos leigos não é a instituição e o desenvolvimento da comunidade eclesial, mas sim o pôr em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já presentes e operantes nas coisas do mundo” (EN, n. 70). Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja vem acentuando a ação dos leigos no mundo. Os leigos descobriram seu lugar dentro da Igreja. Mas falta muito ainda para assumir seu espaço no mundo. Há ainda um longo caminho a percorrer.

O exemplo de Cristo

Sendo Filho eterno do Pai, Jesus Cristo despojou-se de sua glória e encarnou-se neste mundo, assumiu em tudo a condição humana, com exceção do pecado. O mistério da Encarnação é o fundamento para a evangelização inculturada da Igreja: entrar no mundo, assumir o mundo, transfigurar o mundo. Nessa missão, os cristãos leigos estão na vanguarda. São eles que estão na frente, como protagonistas. Estão no mundo, mas não são do mundo. Atuam nos mais diversos campos – família, trabalho, arte, cultura, educação, comunicação, política, economia, justiça etc. – para os transfigurar no mistério do Verbo Recapitulador, em quem habita toda a plenitude, ele que reconcilia todas as coisas entre si e com Deus-Pai (Col 1,19-20).

A bondade do mundo

É neste mundo (e não noutro), com todas as suas mazelas, que vivem os cristãos leigos. Por vezes, tem-se uma visão negativa do mundo. Mas, por sua própria condição, o mundo tem sua própria consistência e verdade, bondade e beleza. É obra de Deus Criador, é a matéria do Deus feito carne, é o lugar da ação redentora de Deus Salvador, é objeto da futura glorificação. Na Gaudium et Spes o Concílio sugere que a postura cristã neste mundo deve ser de abertura e diálogo com as culturas e as religiões, com as filosofias do tempo e da história humana, a partir do olhar da fé e da razão, guiados pelo magistério da Igreja. Uma atitude de acolhida e respeito é primordial para o reconhecimento da presença e da ação dos leigos no mundo.

Por Pe. Vitor Galdino Feller

Publicado na edição de março/2018, nº 243, do Jornal da Arquidiocese, página 05.

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