Quando falamos de Mistério Pascal estamos nos referindo à morte e ressurreição de Cristo. É o núcleo central que faz entender toda experiência da vida cristã. Pela morte e ressureição, Cristo comunica ao mundo a vida divina. Assim os homens, mortos para o pecado, são configurados a Ele. “Não vivam mais para si, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2Cor 5,15). Cristo, morrendo, destruiu a morte e ressurgindo, deu-nos a vida.

 A vida nova não é conquista do ser humano por seus méritos. É obra de Deus no ser humano, é graça. A atitude fundamental do ser humano, para que aconteça esta transformação, é a de sentir-se acolhido por Deus. O cristão vive o seu dia na certeza de ser amado por Deus. Desta forma, desenvolve a capacidade de perceber os sinais do amor de Deus. E o mundo está cheio da misericórdia de Deus. Um dos sinais de que a pessoa está crescendo na vida cristã é quando percebe sempre mais os sinais da presença do mistério pascal de Cristo.

 O mistério não é entendido a partir de fora, como se faz quando se quer conhecer uma coisa. O mistério é conhecido quando se entra nele e se deixa envolver por ele. Quando se está dentro, contempla-o e se deixa fascinar. Desta forma é transformado pelo mistério. Assim, por este caminho, o cristão é possuído pela vida nova conquistada por Cristo, por sua morte e ressurreição. Torna-se um com Cristo e recebe a salvação conquistada por sua morte e ressurreição.

 A Quaresma é o caminho de preparação para a celebração do Mistério Pascal. É tempo de intensificar os exercícios para perceber que somos tocados pela misericórdia de Deus. E seremos multiplicadores das obras de misericórdia. Somos convidados a reproduzir os gestos e palavras de Cristo para os homens do nosso tempo.

Por: Dom Wilson Tadeu Jönck, Arcebispo de Florianópolis

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